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5 de março de 2010

Necessidade de espaço

Não há ninguém que diga que o casal não necessita de estar uns tempos virado para si, quando nasce o primeiro filho. Afinal, este é um momento de corte com tudo o que se conheceu até então.

«O nascimento do primeiro filho representa uma reformulação total. A vida entra num novo ciclo, uma espécie de território desconhecido que capta toda a atenção e disponibilidade dos pais. Há uma série de novos desafios, de novas responsabilidades e de novas prioridades», explica o psicólogo Luís Miguel Neto, dizendo que, nas primeiras semanas ou meses, é natural que o casal se isole das relações sociais.

«Nos momentos iniciais, deixa de haver tempo para os amigos, aliás, muitas vezes nem se consegue pensar neles tal é o volume de novas solicitações trazidas pelo bebé», adianta o docente da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, em Lisboa, acrescentando: «E quando nos lembramos deles, não há disposição para convívios, apenas o cansaço dos sonos trocados e da vida virada do avesso.»

Aliás, estes amigos, se forem sinceros na sua amizade, vão entender as novas necessidades dos pais acabados de nascer e dar-lhes espaço de manobra.

«O apoio deve estar sempre lá, através, por exemplo, de um telefonema ou de um SMS. A presença física é que pode ser dispensável», diz Luís Miguel Neto. Maria João Cosme está de acordo e sublinha: «Os amigos devem funcionar como satélites. Devem estar à distância, mas alerta para qualquer necessidade. Naturalmente sabem quando não se devem imiscuir na vida daquele casal, nem se impor lá em casa.»

texto completo em: in http://www.paisefilhos.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=184&Itemid=69

22 de fevereiro de 2010

A importânica de saber chegar a casa a horas

Mário Cordeiro, pediatra, disse na semana passada numa conferência organizada pelo Departamento de Assuntos Sociais e Culturais da Câmara Municipal de Oeiras, que muitas birras e até problemas mais graves poderiam ser evitados se os pais conseguissem largar tudo quando chegam a casa para se dedicarem inteiramente aos seus filhos durante dez minutos.
Ao fim do dia os filhos têm tantas saudades dos pais e têm uma expectativa tão grande em relação ao momento da sua chegada a casa que bastava chegar, largar a pasta e o telemóvel e ficar exclusivamente disponível para eles, para os saciar. Passados dez minutos eles próprios deixam os pais naturalmente e voltam para as suas brincadeiras. Estes dez minutos de atenção exclusiva servem para os tranquilizar, para eles sentirem que os pais também morrem de saudades deles e que são uma prioridade absoluta na sua vida. Claro que os dez minutos podem ser estendidos ou até encurtados conforme as circunstâncias do momento ou de cada dia. A ideia é que haja um tempo suficiente e de grande qualidade para estar com os filhos e dedicar-lhes toda a atenção.
Por incrível que pareça, esta atitude de largar tudo e desligar o telemóvel tem efeitos imediatos
e facilmente verificáveis no dia-a-dia.
Todos os pais sabem por experiência própria que o cansaço do fim de dia, os nervos e stress acumulados e ainda a falta de atenção ou disponibilidade para estar com os filhos, dão origem a uma espiral negativa de sentimentos, impaciências e birras.
Por outras palavras, uma criança que espera pelos pais o dia inteiro e, quando os vê chegar, não os sente disponíveis para ela, acaba fatalmente por chamar a sua atenção da pior forma.
Por tudo isto e pelo que fica dito no início sobre a importância fundamental que os pais-homem têm no desenvolvimento dos seus filhos, é bom não perder de vista os timings e perceber que está nas nossas mãos fazer o tempo correr a nosso favor.
in Boletim de Julho da Acreditar