2 de novembro de 2009

O bebé e a música

Nós estamos a ouvir Enya "Journey of the Angels"...


O feto ainda guarda muitos segredos, mas um dos que já descobrimos é que ele ouve, desde muito cedo. A voz da mãe é o som mais conhecido e pode dizer-se que é música para os seus ouvidos. Mas há boas razões para o pôr a ouvir outros tipos de música.

A música exerce um imenso poder sobre nós. Sobre as nossas emoções, o nosso estado de espírito, até sobre os nossos actos. Dependendo do ritmo e do momento, uma música pode alegrar-nos ou entristecer-nos, acalmar-nos, inspirar-nos, envolver-nos a ponto de esquecermos tudo o que se passa à nossa volta. Podemos ouvi-la baixinho ou muito alto, em qualquer lugar, a qualquer hora. O mais importante, qualquer que seja o estilo, o ritmo, o volume ou o momento, é o facto de a música nos transmitir alguma coisa. Uma emoção, uma memória, um desejo, um sentimento. E isso vale também para os bebés, incluindo os que ainda não nasceram.

Os primeiros sons
Se a música é capaz de transmitir emoções a uma grávida, o mais provável é que o bebé que ela traz dentro da barriga seja contagiado, não só pelos sons, mas também pela sensação de bem estar que esses sons provocam na mãe. Por isso, não são muito aconselháveis as músicas mais violentas, com batidas fortes e repetitivas, ouvidas em altos berros. Em vez de acalmar a mãe e o bebé, poderão contribuir para um aumento da ansiedade e do stresse. E isto mesmo que a mãe seja uma fã incondicional do rock'n roll!

Vários estudos e várias experiências levadas a cabo neste campo permitiram chegar à conclusão que os fetos precisam, acima de tudo, de harmonia e equilíbrio emocional. Sabe-se, assim, que as composições de Mozart e Vivaldi os acalmam, que Brahms e Beethoven aumentam os seus movimentos e que a batida do rock acelera notavelmente o pulsar dos seus corações. É claro que isto não significa que, mais tarde, já crianças ou jovens, não venham também a gostar de músicas batidas, músicas mais mexidas e mais divertidas, que os façam saltar e dançar...

Dentro da barriga da mãe, no entanto, as preferências vão para os sons suaves e harmoniosos. Não apenas porque os fetos são pequenos ouvintes, mais frágeis e mais sensíveis, mas também porque a música serve como elo de ligação entre o mundo uterino e o mundo exterior. E se, ao princípio, as melodias se resumem a composições mais ou menos simples, executadas pelos próprios órgãos maternos - o bater ritmado do coração, o sangue que flui pelo cordão umbilical, a entrada e a saída de ar nos pulmões - rapidamente entram em cena outros sons mais elaborados. Sons que ultrapassam a barreira de líquido amniótico e se juntam para formar uma espécie de orquestra.

À voz da mãe (o elemento mais importante da «banda») juntam-se, a pouco e pouco, outras vozes. E às outras vozes juntam-se outros ruídos. A água a correr, a buzina de um carro, a batedeira da sopa, um passarinho a cantar, a música, propriamente dita, um pouco por todo o lado. Seja sintonizada ao acaso no rádio do carro, cantarolada baixinho durante as lides domésticas, ou posta de propósito na aparelhagem da sala, sem que seja necessário ligar os headphones e colocá-los junto à barriga para que o bebé tire dela o máximo partido...

Emoções musicais
Através da música, mãe e filho podem criar desde muito cedo uma relação profunda e os sons podem ser uma das formas de a mãe (e o pai, por que não?) transmitirem ao filho emoções e sentimentos. Para além disso, acredita-se que escutar um tema especial ao longo da gravidez traz algumas vantagens, já que, para além de conseguir ouvi-lo, o feto consegue, a partir da 32ª semana de gestação, memorizá-lo. Assim, a mesma música não só o acalma ao longo da sua vida uterina, como vai ter o poder de continuar a acalmá-lo quando sair cá para fora e a tornar a ouvir, desta vez sem a barriga da mãe pelo meio.

in Revista Pais & Filhos (http://www.paisefilhos.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=212&Itemid=67)

Os mitos durante a gravidez


Pois é, desde sempre que ouvi falar dos mitos que assolam as futuras mães de proibições, por isso, fui pesquisar sobre o assunto e tentar saber o que é verdade e o que, tal como o próprio nome indica, não passa de uma simples crença popular.

Assim, deixo aqui algumas explicações para os mitos mais frequentes:


Vale comer tudo?

«Sempre ouvi dizer: come tudo o que te apetecer». A ideia de que uma grávida deve comer por dois fazia sentido no tempo em que as populações passavam fome. Mas hoje as recomendações médicas apontam para um aumento de peso na ordem dos 12 quilos, o que implica refrear o impulso de comer de mais. Saciar os célebres desejos, principalmente nos primeiros meses de gravidez, tem a ver com a necessidade de suprir possíveis nutrientes em falta. Mas as restrições de tomar café, chá preto e bebidas alcoólicas são para ser seguidas à risca. Mesmo pequenas quantidades têm um efeito tóxico no feto, devido ao seu baixo peso. O que para nós é pouco, representa muito para um bebé em formação. Os produtos que contêm adoçantes artificiais (aspartame, acessulfame, sorbitol...) devem ser igualmente evitados.

Cuidado com as radiações

Noutros tempos, alertavam: «não encostes nada de metal à barriga!». Nem as chaves na algibeira eram aconselhadas. Em parte, para evitar o risco de contusões. Hoje, as recomendações passam por evitar o efeito nocivo das radiações, quer de aparelhos de telecomunicações (em especial, telemóveis e televisores), quer de aparelhos de diagnóstico (radiografias). O uso de computadores portáteis, junto à barriga, é também desaconselhado.

Exercício físico prejudica?

«Nada de esforços». Pensou-se, durante muito tempo, que a prática desportiva poderia desencadear abortos e partos prematuros. Se é certo que nas primeiras e nas últimas semanas de gravidez, o corpo pede mais repouso, nada impede que uma grávida saudável faça exercício físico moderado. Os benefícios valem o esforço: melhor controlo do peso, menos dores lombares, acalma a ansiedade, ajuda à distribuição de nutrientes na placenta e torna mais fácil o trabalho de parto. Desportos de competição ou que envolvam o risco de traumatismos e de queda são contra-indicados.

Convém refrear a actividade sexual?

A abstinência durante a gravidez era aconselhada, para desespero de muitos maridos. E ainda hoje «alguns casais simplesmente abstêm-se de sexo por pensarem que a penetração pode magoar ou prejudicar o seu filho», constatou Fátima Martins, no estudo que realizou no norte do país. «Não podemos esquecer que, ao longo dos tempos, em algumas sociedades se defendia a teoria de que o sémen tinha o poder de matar o feto por afogamento, provocar malformações, loucura ou até mesmo cegueira». Desde que a gravidez decorra com normalidade, sem factores de risco, não há razão para recear o contacto íntimo entre o casal. A actividade sexual não provoca aborto nos primeiros meses nem leva à antecipação do parto, na fase final. Seria necessário uma intensa sucessão de orgasmos para desencadear contracções uterinas. Os movimentos sexuais, desde que não excedam a moderação, não agridem o útero nem magoam o bebé. Mas é preciso estar atenta a possíveis infecções vaginais.

É arriscado mexer nos animais?

O medo de contrair toxoplasmose pode explicar crenças como esta: «se uma grávida mexer em cães ou gatos, o bebé pode nascer com manchas e pêlos»; «uma grávida não pode tocar no baço de um porco porque senão a criança nasce com uma mancha igual no corpo». O risco de malformações do feto é real nas mulheres grávidas que não estão imunes ao parasita e desenvolvem a doença, sobretudo durante o primeiro trimestre. As fezes e urina de gatos selvagens são os principais focos de transmissão, mas também os dejectos de pombos e cães, para além das carnes cruas ou mal cozinhadas, e das frutas e saladas mal lavadas. Contudo, as análises sanguíneas de rotina costumam informar se teve contacto recente ou passado com o parasita e se já desenvolveu anticorpos. Não é motivo para deixar de ter gatos ou cães em casa. Mas é preciso seguir escrupulosamente alguns cuidados, como lavar bem as mãos depois de tocar nos animais, não lhes dar carnes cruas, não manusear a caixa dos dejectos ou se tiver que o fazer, usar sempre luvas.


E se ficar doente?

«Chá, caldos e cama», é a receita pronta das avós para a maioria das maleitas durante a gravidez. De facto, a menos que seja por expressa indicação médica, os medicamentos devem ser evitados. A maioria dos medicamentos passa para a corrente sanguínea e atravessa a barreira placentária, podendo chegar ao feto em concentrações elevadas. Contudo, existem vários medicamentos e produtos que não apresentam risco de toxicidade para o feto. Informe-se com o seu médico.

in Revista Pais & Filhos (http://www.paisefilhos.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=1814&Itemid=67&limit=1&limitstart=2)