
Assim, deixo aqui algumas explicações para os mitos mais frequentes:
Vale comer tudo?
Cuidado com as radiações
Noutros tempos, alertavam: «não encostes nada de metal à barriga!». Nem as chaves na algibeira eram aconselhadas. Em parte, para evitar o risco de contusões. Hoje, as recomendações passam por evitar o efeito nocivo das radiações, quer de aparelhos de telecomunicações (em especial, telemóveis e televisores), quer de aparelhos de diagnóstico (radiografias). O uso de computadores portáteis, junto à barriga, é também desaconselhado.
Exercício físico prejudica?
«Nada de esforços». Pensou-se, durante muito tempo, que a prática desportiva poderia desencadear abortos e partos prematuros. Se é certo que nas primeiras e nas últimas semanas de gravidez, o corpo pede mais repouso, nada impede que uma grávida saudável faça exercício físico moderado. Os benefícios valem o esforço: melhor controlo do peso, menos dores lombares, acalma a ansiedade, ajuda à distribuição de nutrientes na placenta e torna mais fácil o trabalho de parto. Desportos de competição ou que envolvam o risco de traumatismos e de queda são contra-indicados.
Convém refrear a actividade sexual?
A abstinência durante a gravidez era aconselhada, para desespero de muitos maridos. E ainda hoje «alguns casais simplesmente abstêm-se de sexo por pensarem que a penetração pode magoar ou prejudicar o seu filho», constatou Fátima Martins, no estudo que realizou no norte do país. «Não podemos esquecer que, ao longo dos tempos, em algumas sociedades se defendia a teoria de que o sémen tinha o poder de matar o feto por afogamento, provocar malformações, loucura ou até mesmo cegueira». Desde que a gravidez decorra com normalidade, sem factores de risco, não há razão para recear o contacto íntimo entre o casal. A actividade sexual não provoca aborto nos primeiros meses nem leva à antecipação do parto, na fase final. Seria necessário uma intensa sucessão de orgasmos para desencadear contracções uterinas. Os movimentos sexuais, desde que não excedam a moderação, não agridem o útero nem magoam o bebé. Mas é preciso estar atenta a possíveis infecções vaginais.
É arriscado mexer nos animais?
O medo de contrair toxoplasmose pode explicar crenças como esta: «se uma grávida mexer em cães ou gatos, o bebé pode nascer com manchas e pêlos»; «uma grávida não pode tocar no baço de um porco porque senão a criança nasce com uma mancha igual no corpo». O risco de malformações do feto é real nas mulheres grávidas que não estão imunes ao parasita e desenvolvem a doença, sobretudo durante o primeiro trimestre. As fezes e urina de gatos selvagens são os principais focos de transmissão, mas também os dejectos de pombos e cães, para além das carnes cruas ou mal cozinhadas, e das frutas e saladas mal lavadas. Contudo, as análises sanguíneas de rotina costumam informar se teve contacto recente ou passado com o parasita e se já desenvolveu anticorpos. Não é motivo para deixar de ter gatos ou cães em casa. Mas é preciso seguir escrupulosamente alguns cuidados, como lavar bem as mãos depois de tocar nos animais, não lhes dar carnes cruas, não manusear a caixa dos dejectos ou se tiver que o fazer, usar sempre luvas.
E se ficar doente?
«Chá, caldos e cama», é a receita pronta das avós para a maioria das maleitas durante a gravidez. De facto, a menos que seja por expressa indicação médica, os medicamentos devem ser evitados. A maioria dos medicamentos passa para a corrente sanguínea e atravessa a barreira placentária, podendo chegar ao feto em concentrações elevadas. Contudo, existem vários medicamentos e produtos que não apresentam risco de toxicidade para o feto. Informe-se com o seu médico.
in Revista Pais & Filhos (http://www.paisefilhos.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=1814&Itemid=67&limit=1&limitstart=2)
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