5 de maio de 2009

A Gaguez

Há momentos nas nossas vidas em que as pessoas gaguejam: por alegria (excitação), tristeza (falar e chorar ao mesmo tempo), ansiedade e/ou nervosismo ou simplesmente por cansaço ao final de um dia stressante de trabalho e esta ocorrência não deixa de ser “normal”, fazendo parte da comunicação humana.

Mas afinal o que é a gaguez e quando se deve intervir directamente?

*Gago: indivíduo cujo o pensamento é mais rápido que a palavra e que não possui segurança verbal naquilo que quer exprimir.

*Gaguez: alterações na fluência verbal, ou seja é a fala interrompida ora por silêncios, ora por prolongamentos e repetições de sons, sílabas ou palavras, que são produzidos com excesso de tensão muscular. É um sistema circular constituído por 3 vectores: a gaguez propriamente dita, a ansiedade no momento de falar e a enorme vontade de não gaguejar.

A comunicação verbal é estabelecida numa interacção entre quem fala e quem ouve; a existência de gaguez na mensagem, põe em risco o bom funcionamento no acto de comunicar.

Nas crianças entre os 2 e os 4 anos, pode ocorrer alterações na fluência do discurso, fazendo esta parte do desenvolvimento da fala, a que chamam de "gaguez fisiológica" ou "normal". No entanto, se estas interrupções no discurso, surgem ou acentuam-se a partir dos 4 anos, são frequentes, acompanhadas por expressões faciais e corporais marcadas (como os tiques) e gestos que surgem como substituto ou aliado na fala...o Terapeuta da Fala pode ajudar.


O Que Fazer?

Difícil para quem escuta- O que fazer quando ele gagueja?

(a) Ajudar a completar a palavra ou encontrar a mais adequada?

(b) Esperar pacientemente?

(c) Esperar fazendo de conta que não se nota nada de especial?

(d) Dar indicações do género: "respira fundo, descontrai-te, pára e começa de novo ou pensa antes de falar"

Se (a), a criança pode interpretar a prontidão do adulto em dizer a palavra, como falta de paciência para ouvir o que ele estava a dizer, ou que sozinho não consegue falar.

Se (b) e (c), manifesta-se num gesto importante na comunicação: o contacto visual. Como quem ouve, não sabe o que fazer e a postura é não interferir, disfarça o incómodo que sente evitando olhar para a criança. No entanto, essa pode pensar que o que está a dizer não interessa.

Se (d), induz que se pode controlar a gaguez (que a criança se quisesse venceria a disfluência), mas esta é uma noção simplista e incorrecta que tem repercussões negativas na interacção. Esta atitude transmite que o ouvinte está mais preocupado com a forma do que com o conteúdo da mensagem.

É fundamental aceitar a criança que gagueja e como tal dar-lhe o tempo que precisa para comunicar!

Difícil para quem se tenta expressar - Como age quem gagueja?

(a) A ansiedade é um factor relevante, que agudiza os episódios de gaguez.

Esta baseia-se em 3 passos que antecedem o momento de falar:

*A criança sente esforço em tentar coordenar as ideias que quer transmitir;

*Atribulações na coordenação motora das estruturas articulatórias;

*Receio da reacção depreciativa de quem está a ouvir.

(b) Para controlar essa ansiedade podem surgir atitudes como:

*Desistir em se expressar

*Evitar falar em público

*Afastamento social, fechando-se no seu próprio mundo (em que vivência de forma negativa as suas interacções sociais).

(c) As dificuldades sentidas na interacção (principalmente em situações de troça) contribuem para que a criança se sinta mais ansioso no momento de falar, o que pode levá-lo a gaguejar ainda mais.

(d) Na maioria dos casos, a timidez não deixa de ser uma consequência da gaguez e o silêncio é a melhor forma que a criança encontra para não se expôr.


É importante que a criança encontre um sentimento de aceitação da sua dificuldade por quem o escuta e por ele próprio!

Sugestões:

*Falar calmamente, demonstrando disponibilidade para ouvir,

*Não colocar muitas questões, sem dar tempo de resposta,

*Evitar situações que desencadeiem ansiedade,

*Proporcionar actividades lúdicas que incluam canções e rimas,

*Sensibilizar quem troça, o mais importante é ouvir o que diz e não como diz.

Fonte: Médicos de Portugal

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