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18 de junho de 2010

O parto - vídeos

Vídeo de um parto vaginal.
Em Portugal ainda não se fazem partos em pé, apenas deitadas ou na posição semi-sentada.



Parto vaginal em 3D



Parto por cesariana

8 de junho de 2010

Exames pós parto

Logo após o parto, durante o período de internamento vai ser acompanhada diariamente por um obstetra. Caso tenham ultilizado no seu parto, fórceps, ventosa ou mesmo numa cesariana, ele vai observá-la para prevenir quaisquer sinais de infecções também assegurar-se que a jovem mãe se encontra bem a nível emocional. Passado quatro a seis semanas depois da alta hospitalar e caso não se registem complicações é marcada uma consulta de revisão.

Tente sempre estar alerta, existem alguns sintomas como ligeiras febres, incapacidade de urinar apesar de ter vontade, dores ao urinar, perdas de sangue anormais do útero, um cheiro estranho no sangue que perde, sensações de desmaio, pequenas faltas de ar ou dores no peito, pernas sensíveis ou inchadas, seios doridos entre outras.Se não se lembrar de algumas coisas que queira dizer, aponte num papel para dizer ao seu médico e durante as consultas fale sobre tudo isto e ainda sobre o que sente na região dos pontos(se os tiver), quais os seus planos contaceptivos. Os seus níveis de hemoglobina vão ser verificados, a sua temperatura será medida, o seu pulso tomado e a pressão arterial verificada. Esta é a melhorr ajuda que o seu médico pode dar-lhe para garantir que recupera a 100%.

O momento do parto

CHEGOU O GRANDE DIA! Nesta altura já estará cansada de estar grávida e desejosa de abraçar o seu bebé. Mas logo que o parto começar, é possível que fique nervosa e se interrogue se está preparada para passar por isto. Respire fundo, relaxe e lembre-se de que o seu corpo está preparado para dar à luz. Confie em si mesma.
Não se esqueça de que não está sozinha. Todas as pessoas envolvidas nesta experiência (o bebé, o seu médico e a sua equipa de apoio) trabalham com o mesmo objectivo.

Como está a desenvolver-se

O NASCIMENTO TRABALHOSO O parto ser muito cansativo para o bebé, com tantos apertões e de tanto empurrar com a cabeça. Mas está preparado, com um crânio adaptável, um corpo flexível e um sistema nervoso que põe todos os seus sistemas corporais preparados durante todo o parto. A força que tem que fazer durante o parto ajudá-lo-á a esvaziar os seus pulmões do líquido amniótico e a libertar epinefrina, uma hormona que põe em funcionamento ajustes pós-natais como o encerramento dos canais cardíacos fetais e a mobilização dos glóbulos brancos.

SIMULAÇÃO DO PARTO O bebé pratica estes ajustes durante as falsas contracções (Braxton-Hicks) que se podem notar durante a gestação. É possível que o seu médico lhe peça que conte os movimentos do bebé ou inclusive que verifique a sua resposta a algumas contracções, só para se assegurar de que todos os sistemas funcionam. No geral, o ritmo cardíaco do bebé abranda durante uma contracção, mas volta à normalidade quando termina.

Cuidado da mãe

ALIVIAR AS DORES DO PARTO As mulheres experimentam incómodos durante o parto em graus muito diferentes. Felizmente, existe toda uma série de opções disponíveis para aliviar estas dores.

TÉCNICAS NÃO MÉDICAS PARA ALIVIAR A DOR As técnicas de relaxamento, as massagens, a respiração sossegada, a criação de imagens visuais e a música são técnicas não invasivas para reduzir a tensão muscular e a dor durante o parto. Talvez já tenha praticado alguma destas técnicas no seu curso de preparação para o parto. Ânimo!

MEDICAÇÃO E ANESTESIA
É possível aplicar durante o parto a anestesia epidural. Esta injecção na coluna vertebral elimina praticamente toda a sensação das contracções. Não obstante, a anestesia epidural implica alguns riscos, pelo que é importante que comente com o seu médico obstetra os prós e os contras antes da data do parto.
Obtenha agora toda a informação possível, para que quando chegar o momento esteja em condições de tomar a melhor decisão para si e para o seu bebé.

À espera

DAR PEITO PELA PRIMEIRA VEZ Após várias horas de esforço, tem por fim o seu bebé nos seus braços. Está eufórica e esgotada. Uma das melhores maneiras de continuar o seu vínculo com este incrível ser e de lhe proporcionar um começo o mais saudável possível, é dar-lhe peito logo que nasça.

O BEBÉ ESTÁ PRONTO PARA MAMAR O bebé estará muito desperto após o parto e desejoso de mamar. De facto, os estudos demonstram que existem mais probabilidades de o aleitamento materno ter êxito se se iniciar na primeira meia hora de vida do bebé. Se não puder pô-lo a mamar nesse intervalo, simplesmente comece quando ambos estiverem prontos.

PASSO A PASSO O apurado sentido do olfacto que o seu bebé tem orientá-lo-á até ao seu peito se o tiver ao colo. Dê-lhe um empurrãozinho para pô-lo ao peito. (Peça à enfermeira ou à parteira que a ajude.) Coloque o mamilo em contacto com a sua bochecha. Esta sensação porá em funcionamento um reflexo instintivo e o bebé abrirá a boca. Quando o fizer, ponha-lhe o mamilo dentro e deixe que mame todo o tempo que quiser, mudando-o para o outro peito quando a intensidade da sucção baixar.

Não é necessário preocupar-se demasiado para que tudo corra perfeitamente na primeira vez. O importante é que a sucção do bebé ajude a libertar hormonas do corpo da mãe que disparam a produção de leite e contraem o útero. Esta contracção ajuda a expulsar a placenta e reduz a hemorragia do útero. E o bebé adquire alguma prática, para além de ingerir o colostro, ou o primeiro leite, um poderoso factor de protecção contra as doenças.
Para obter mais informações sobre o aleitamento materno, leia o artigo seguinte.

Para os pais

MEDO TEATRAL Desmaiarei? Vomitarei? Os pais principiantes preocupam-se muito com a forma como se vão sentir e comportar durante o parto. A boa notícia é que quase todos os que se preocupam acabam por desempenhar o seu papel perfeitamente. Pense positivo e lembre-se de que terá pessoas à sua volta que há anos que fazem estas coisas. Já viram de tudo!

Sabia que...?

O APOIO DURANTE O PARTO Uma das melhores maneiras de transformar o parto numa experiência positiva é contar com pessoas que a ajudem a satisfazer as suas necessidades: o seu companheiro, a sua mãe ou a sua melhor amiga.

O QUE FAZEM AS PARTEIRAS Uma boa parteira apoiará os seus desejos em relação ao parto. Ela compreende os aspectos físicos e emocionais do parto e proporcionar-lhe-á a informação que necessitar. Por exemplo, talvez lhe recomende que mude de posição, se ofereça para lhe fazer uma massagem ou lhe explique como respirar correctamente.
Quando o bebé nascer, ajudá-la-á com a amamentação.

31 de maio de 2010

CPP - parte III - Parto

Dicas importantes
- andar, andar, andar... andar muito é o melhor que podemos fazer para ajudar o nosso bebé nesta caminhada até ao mundo exterior. Todo o processo do parto é bastante difícil para o nosso bebé, por isso, ele conta com a nossa ajuda. Mantermo-nos na posição de cócoras ou inclinada para a frente, enconstada a uma parede, por exemplo, são posições que também ajudam pois colocam o bebé numa posição directa em relação ao colo do útero.
- decorar o número 115:
1 - contracções durante uma hora
1 - com duração de 1 minuto
5 - de 5 em 5 minutos
está na hora de irmos para o hospital
- caso as águas rebentem antes de atigirmos o 115, devemos:
. ir para o hospital rapidamente caso as águas tenham uma coloração estranha
. ir para o hospital com calma (até cerca de 1 hora) caso as águas sejam de coloração trabslúcida e cheiro semelhante ao do esperma
em qualquer dos casos, convém telefonar ao médico quando rebentarem.

CONTRAÇÕES


Muitas mulheres não sabem nem como é uma contração, sendo que todas tem contrações de Braxton Hicks durante TODA A GESTAÇÃO.

É aquele momento em que sente-se que a barriga fica dura, muito dura, e dependendo da posição do bebe, pode-se sentir uma dorzinha incomodando. Basta por a mão na barriga e sentir como é.

A contração do trabalho de parto vem acompanhada de dor nas costas ou no “pé da barriga”, dependendo da posição do bebê, e é como uma onda: começa com uma dorzinha fraca que vai ficando forte, alcança um pico e fica fraca de novo. É como uma cólica que vem e vai...

É importante lembrar que se forem respeitadas as vontades da mulher nesse momento, sua livre movimentação e uma companhia que ela deseje, tudo é bastante amenizado.

Além de que, existe uma série de formas de amenizar a dor com técnicas não-farmacológicas (chás, banhos, movimento, massagem, música, etc., para a fase de dilatação) e outro aspecto importante é que o conceito de dor é diferente para cada ser humano.

FASES DO TRABALHO DE PARTO
É preciso saber que o trabalho de parto possui quatro fases distintas:
FASE LATENTE, FASE ATIVA, FASE DE TRANSIÇÃO E EXPULSIVO.

FASE LATENTE: de 1 a 5 cm de dilatação.
É a fase em que a mulher começa a sentir as primeiras contrações, o momento em que o colo começa a se abrir, e começa a dilatação.
As contrações são espaçadas a cada 10 minutos, mais ou menos, e duram cerca de 30 segundos. (Deve-se começar a contar o inicio do TP quando ficar mais de uma hora nesse ritmo)
Pode ocorrer um pouquinho de sangramento ou sair um muco meio amarelado como catarro, que chamamos de rolhão mucoso.
Algumas mulheres sentem vontade de ir ao banheiro a todo momento, outras sentem náuseas, outras nada sentem.
A dor nesse momento é suave, concentrando-se na respiração e relaxando, é possível descansar um pouco para o próximo período.
Pode-se também utilizar chuveiro, banheira e bola de pilates para aliviar as contrações, o que ajuda bastante!
É importante também, alimentar-se com coisas leves e que dêem energia, como um chocolate, por exemplo, e beber muuuuuuuita água!

FASE ATIVA: de 5 a 8 cm.
Nessa fase a mulher começa a sentir-se incomodada com as posições em que fica, já não consegue mais ficar parada por muito tempo, e é MUITO IMPORTANTE que se movimente para a dilatação ocorrer mais facilmente.
Existem uma série de posições e exercícios para ajudar nessa fase, vejam alguns exemplos de posições abaixo:



O mais importante é guiar-se pelo instinto e procurar as posições que mais lhe agradem, lembrando-se de beber muita água também nesse período.
As contrações ficam menos espaçadas, chegam a 3 em 3 minutos e com duração de 40 a 50segundos.
Lembrando que esse é um processo de parto natural, ou seja, sem indução com ocitocina sintética.

FASE DE TRANSIÇÃO: 8 a 10cm.
Nessa fase é o momento em que as contrações ficam mais fortes e numa sequência "frenética".
Geralmente, é o momento em que as mulheres pedem "arrego", dizem que não vão aguentar mais e tal.
Isso ocorre porque o organismo libera hormonas como a adrenalina, que fazem-na sentir medo, sono, tremedeira, dentre outros sintomas, tudo ao mesmo.
Esse período é muito curto, dura de 30 a 40 minutos e logo em seguida a mulher já estará na fase do expulsivo.

EXPULSIVO: 10 cm de dilatação!
Geralmente as mulheres quando são informadas que estão com 10 cm sente-se vitoriosas: Isso é muito bom! Porém, saibam que o expulsivo pode demorar ainda algumas horas, se o processo natural for respeitado.
A dor nessa hora fica diferente, um pouco mais tranquila às vezes, até que a mulher começa a sentir os puxos, que é a vontade de fazer força, como se fosse defecar, o que pode acontecer inclusive, pois é totalmente normal.
O puxo vem instintivamente, naturalmente, sem que seja necessário nenhum médico ou enfermeira ficar pedindo-lhe para fazer.
Infelizmente, em muitos casos, não é respeitado esse tempo do corpo da mulher e ela acaba sendo "comandada" a fazer força e passa por episiotomia desnecessária para adiantar o trabalho deles.
Quando vem a vontade de fazer força o processo fica mais tranquilo e se a mulher for deixada em paz, o expulsivo pode ser muito rápido.

Bem, para terminar é fundamental que para aceitar a dor, a mulher tenha a informação de que DÓI sim, muito além da imaginação. Mas se você está preparada pra ela, você a verá como a força das deusas. Uma aliada para trazer seu filho ao mundo!

Acredite que dói e que ESSA DOR FAZ PARTE do processo, porque essa dor é o seu corpo trabalhando junto com o corpo do bebé, e que essa dor é necessária para você parir seu filho por uma questão evolutiva: caixas cranianas para conter cérebros pensantes grandes demais, para nossas bacias de bípedes. É só isso.

6 de maio de 2010

As visitas na maternidade

Respeitar os horários e não fazer do quarto da futura mãe uma sala de convívio familiar são algumas regras que o pai deve impor.
As visitas na maternidade

A hora das visitas é a hora de “confusão” nas instalações hospitalares e as maternidades não fogem geralmente a esta “peste”. Barulho, confusão, muitas pessoas... e o não respeitar de todas as regras estipuladas pela instituição hospitalar. As mais primárias regras de educação esquecem-se e as próprias visitas acabam por se sentir incomodadas com a confusão. As pessoas na sua ânsia de visitar os seus familiares esquecem-se que o hospital existe para servir quem está dcoente e não para ser um ponto de encontro de uma zona comercial.

O respeito pelos visitados

As visitas visam dar uma hipótese aos familiares e amigos dos internados, de estarem com estes e de se informarem do seu estado de saúde. No caso das maternidades, familiares e amigos, para além de visitarem a recente mamã, pretendem conhecer o novo membro da família. A maior parte das instalações hospitalares permite que duas ou três pessoas estejam com a parturiente, dentro do horário de visita estipulado. Esse horário deverá estar afixado em lugar visível e, em caso de dúvidas os visitantes devem consultar o pessoal do hospital para que não haja enganos.
Durante o horário da visita deverão evitar conversar em voz alta, ter discussões ou provocar ruídos que possam incomodar os visitados ou outros internados, caso a doente não se encontre num quarto privado.

Não monopolizar o tempo

Nas visitas à maternidade é muito comum as pessoas quererem monopolizar todo tempo da visita. Todavia, nestes casos, é importante recordar que uma visita a uma recém-mamã, se pode considerar diferente de uma outra a um paciente internado.
Quando nasce um bebé, toda a família e amigos se movimentam para conhecer o pequenito e, assim, é natural que o número de visitantes seja muito superior ao de outro qualquer internado. Há ainda a considerar que a parturiente tem um número de dias muito limitado de internamento – cerca de três – e todos a querem visitar neste espaço de tempo tão limitado para conhecer o bebé. Para que todos o possam fazer e dado que as visitas são rotativas, o pai deve sempre que necessário pedir aos visitantes que limitem o seu tempo de visita para que outros possam entrar.
Muitas vezes as visitas esquecem-se “ou fingem” que não são únicas e “assentam arraiais” como se a “prendinha” que levaram para a criança funcionasse como “bilhete a tempo inteiro” para o horário da visita. Nestes casos, o pai deve relembrar as vezes necessárias à visita, que outros amigos ou familiares aguardam ansiosamente a sua vez para conhecerem o pequenito.

Direito a descansar

Independentemente do tipo de parto a que a recente mamã foi sujeita, é importante que as visitas compreendam que ela está esgotada, certamente com dores e desejando um pouco de paz. Se os visitantes querem conversar entre si, é melhor que o façam na recepção ou no bar do estabelecimento hospitalar. O pai deve relembrar, se necessário for, que a mulher tem algumas queixas devidas às contracções do pós-parto (dores tortas), que está um pouco fraca devido ao sangue que perdeu e que o médico recomendou que as visitas fossem curtas e silenciosas.

Privacidade e intimidade

Considerando também o início da amamentação é natural que a recente mamã tenha de amamentar o seu bebé durante o período da visita. Se esta situação acontecer, o pai deve solicitar aos presentes que saiam para que a mamã possa oferecer a amamentação ao seu bebé. Muitas mamãs têm pudor de mostrar o peito em público, pelo que podem adoptar posições ilógicas para poder dar de mamar ao seu bebé, enquanto se tentam proteger dos olhares.
Na hora do lanche ou do jantar, a mamã também se pode sentir incomodada de comer em frente das visitas, e mais uma vez, o pai deve pedir para que se despeçam para que esta coma calmamente à sua vontade. É importante que o pai organize as visitas de familiares e amigos antes que, pela sua timidez, estas possam vir a prejudicar a mamã e o bebé.

A importância das primeiras horas

O internamento na maternidade representa as primeiras horas da nova família. Esse tempo não deve desperdiçar-se apenas com as visitas. O casal necessita de tempo em privado para conhecer o seu bebé e o bebé necessita calma e muito amor para reconhecer o “cheirinho a mamã”, aprender a pegar no peito, sentir as primeiras carícias, reconhecer a voz do papá e sentir-se aconchegado no peito da mamã e relembrar as batidas do seu coração. A tríada mamã-bebé-papá inicia agora os seus primeiros passos. Não esqueçamos que embora as visitas daqueles que nos amam sejam sempre importantes, não devem fazer com que percamos as primeiras horas com o bebé.

4 de maio de 2010

Sinais de parto

O corpo da mulher sofre as últimas alterações que a vão preparar para o parto.

Com o final do terceiro trimestre, os movimentos do bebé diminuem devido ao exíguo espaço de que agora dispõe. É natural que os seus movimentos sejam mais efectivos durante a noite quando a mãe está deitada e descontraída pois tem mais espaço para se movimentar. No entanto, caso a actividade fetal diminua drasticamente, convém consultar de imediato o médico assistente, pois esta situação pode significar sofrimento fetal.

Previamente ao parto – duas a quatro semanas – o bebé dá a volta. Encaixa a cabeça na zona superior da pélvis materna e flecte as pernas – apresentação posterior – o que provoca na mãe uma maior pressão sobre a bexiga e consequentemente uma maior necessidade de ir à casa de banho. Todavia, a pressão no diafragma diminui e a mãe tem menos dificuldade em respirar.

Quando a mulher já teve um ou mais partos anteriores, o bebé pode dar a volta mais próximo do momento do parto, já que o espaço para se movimentar é maior devido à elasticidade muscular do útero.

Quando o bebé encaixa a cabeça na zona pélvica, provoca um abaixamento da zona abdominal, conhecida como “insinuação da apresentação”.

Expulsão do rolhão mucoso
Nem sempre as grávidas notam a perda deste “rolhão”, que mantém o colo do útero selado. A sua função é proteger o útero de infecções e mal este se solte deverá preparar-se para o parto. Tenha em conta que muitas vezes o bebé poderá ainda demorar alguns dias a nascer.

Ruptura da bolsa amniótica
Denominado vulgarmente como ruptura da bolsa de águas, acontece normalmente após a expulsão do rolhão mucoso. Pode identificar-se por uma perda de líquido ligeira ou em jacto. Quando se dá esta ruptura convém dirigir-se para a maternidade.

As contracções
Ao longo da gravidez é natural que a mulher sinta contracções uterinas. No entanto, as contracções uterinas que indiciam o parto – as contracções prodrómicas – começam a aparecer na semana anterior a este. Caracterizam-se por durarem menos de 30 segundos e não se prolongarem por um ciclo superior a 20 minutos. As dores localizam-se, maioritariamente, na zona lombar.

As contracções de dilatação – contracções do parto – podem apresentar-se de forma regular e espaçadas entre 15 e 20 minutos. As dores começam nos rins e prolongam-se até ao ventre. Não terão mais do que 20 segundos, tornando-se pouco a pouco mais longas, intensas e frequentes. Quando estas acontecerem, com um intervalo inferior a dez minutos, deverá seguir imediatamente para a maternidade.

Chegou a hora
Perante a identificação dos sinais de parto iminente, relaxe.

Certamente já tem a sua mala preparada para ir para a maternidade, peça ao futuro pai que a acompanhe e não se enerve pois está a chegar um dos momentos mais importantes da sua vida. Vai finalmente conhecer o seu bebé.

Parto provocado

Banalizar a indução do trabalho de parto, como parece estar a acontecer nalguns contextos, pode implicar consequências indesejadas para mães e bebés.

A indução do trabalho de parto pode ser necessária por várias razões clínicas. Apesar de algumas futuras mães não confiarem muito neste processo, saiba que esta alternativa é segura e pode ser claramente justificada consoante o estado gestacional. Um parto provocado pode não ser encarado com agrado. O mesmo pode ir de horas a dias mas é essencial que as futuras mães confiem nelas próprias e nos profissionais que as acompanham.

Catarina Alves, enfermeira especialista em Saúde Materna e Obstetrícia do Centro de Pré e Pós Parto tira-lhe todas as dúvidas e deixa-lhe alguns conselhos no caso do nascimento do seu bebé passar pela indução do trabalho de parto.

Quando é que se torna necessário recorrer à indução do parto?
Só é necessário recorrer à indução do trabalho de parto quando houver uma razão clínica que motive a antecipação do terminus da gravidez em detrimento da maturação do feto (ex: a pré-eclâmpsia pode ser uma razão clínica que justifique esta intervenção).


Até quantas horas pode demorar uma indução do parto?
É sempre imprevisível. Depende de vários factores: maturação do colo uterino, maturação fetal, participação da mãe, deambulação, entre outros. Pode ir desde horas a dias.


Considera que as mães recebem facilmente a notícia de que o seu parto será induzido?
O modo de encarar a indução, pela mulher, pode ser diferente e depende das circunstâncias: se é por conveniência ou se é clinicamente necessária.

Algumas mulheres acham agradável a ideia de saber o dia em que vai nascer o bebé, embora nem sempre o dia em que começa a indução coincida com o do nascimento. Existem mulheres, menos informadas sobre o procedimento e suas implicações, que nem se questionam, pensando que só existe essa alternativa. Mas existem também mulheres que pretendem participar – e participam – activamente nas decisões sobre o seu próprio corpo, parto e bebé. Para estas, a ideia de um parto provocado não é, normalmente, encarada com agrado.

O contexto pode ser distinto quando se tratam de induções clinicamente necessárias. Nestes casos, devem ser adequadamente explicados às mães os motivos que justificam a antecipação do fim da gravidez.

Qual a eficácia da indução do parto?
Se considerarmos o nascimento do bebé, por si só, como objectivo final, independentemente do custo para a mãe e para o bebé, pode dizer-se que as induções do trabalho de parto têm eficácia relativa, sabendo-se que o aumento das taxas de cesarianas está relacionado com estas. No entanto, as implicações para a mãe e para o bebé não devem ser negligenciadas quando se fala na eficácia da indução do trabalho de parto.

Na prática, como se processa, do começo ao fim, a indução de um parto?
Os protocolos variam um pouco de instituição para instituição e a escolha do fármaco também varia de acordo com as condições clínicas da grávida. No entanto, numa indução do trabalho de parto importa salientar que a hospitalização é imperativa, para que exista e seja contínua a vigilância do bem-estar materno-fetal, independentemente do fármaco escolhido.

Quais são as grandes vantagens deste procedimento?
Para os defensores da indução do trabalho de parto por conveniência a grande vantagem é a decisão do dia do parto.

Para quem usa este procedimento com bom senso, e só em situações que o justifiquem, as vantagens prendem-se com a necessidade de antecipação do nascimento do bebé, quando os motivos clínicos para terminar a gravidez pesam mais na balança do que os benefícios em continuá-la.

A indução do parto pode trazer alguns riscos para a mãe e para o feto?
Como qualquer intervenção num processo natural como é o parto, a indução pode trazer consigo riscos. Por exemplo, os riscos associados aos fármacos utilizados (como a actividade uterina excessiva). Não pode deixar de se salientar, também, o facto de qualquer interferência durante o trabalho de parto poder desencadear a necessidade de outros procedimentos. Por isso, banalizar a indução do trabalho de parto, como parece estar a acontecer nalguns contextos, pode implicar consequências indesejadas para as mães e os bebés.

Finalmente, refira-se que a dor de parto na indução tende a ser superior à dor de trabalho de parto espontâneo.

Que conselhos daria às futuras mães que tenham de passar por esta situação?
Como enfermeira especialista que cuida autonomamente de gravidezes saudáveis, parece-me imperativo sugerir às futuras mães que se informem, que leiam, que questionem, que se envolvam activamente, tornando-se verdadeiras protagonistas num evento que é tão seu, tão único e que só vai acontecer essa vez. Desse modo, certamente que a experiência do parto será mais positiva.

Em gravidezes saudáveis, sem indicação clínica para a indução do trabalho de parto, obrigar o organismo saudável da mulher e do bebé a fazer algo para o qual ainda não estão preparados pode trazer consigo riscos, outras intervenções que seriam desnecessárias se o evento se tivesse desencadeado espontaneamente.

O ser humano gosta de controlar. Vivemos num contexto onde não há tempo para nada, mas as mães e os bebés precisam desse tempo. É importante saber esperar pela maturação fetal e pelo amadurecimento do organismo da mulher. As mulheres de hoje precisam exactamente do mesmo tempo que precisaram as mulheres que tiveram os seus bebés há 100 anos atrás. Alguns poderão entender que pensar assim é regredir, mas não me parece. Entre estas duas épocas, com tantas semelhanças e tantas diferenças no que ao parto diz respeito, umas das diferenças fundamentais é que hoje temos acesso à vigilância materno-fetal. Por isso, esperar e vigiar é a chave do sucesso.

Contudo, se a indicação clínica é a indução do trabalho de parto, é importante que as grávidas se mantenham tranquilas, confiantes (nelas e nos profissionais) e que usem alguns métodos naturais de alívio da dor como a respiração, duche, massagens, pois o sucesso desta intervenção também depende da participação da mulher. No contexto actual, a medicina encontra-se bem equipada para desencadear, sempre que necessário, este tipo de intervenções e apoiar todo o processo.

“A indução de parto pode ir de horas a dias”

“Numa indução do trabalho de parto importa salientar que a hospitalização é imperativa, para que exista e seja contínua a vigilância do bem-estar materno-fetal, independentemente do fármaco escolhido”

“É importante saber esperar pela maturação fetal e pelo amadurecimento do organismo da mulher”

“No contexto actual, a medicina encontra-se bem equipada para desencadear, sempre que necessário, este tipo de intervenções e apoiar todo o processo”

O apoio do pai Na sala de partos

O parto deixou de ser só da mãe e passou a ser do casal. O apoio do pai pode ser imprescindível durante o trabalho de parto.

Já passou a época em que o pai esperava impacientemente, caminhando de um lado para o outro, o chorar do recém-nascido ou que a enfermeira lho trouxesse para o conhecer.

Actualmente, a maioria dos pais entra na sala de partos sem dúvidas e sem hesitações. O acompanhamento do pai, principalmente antes e durante o parto, é extremamente importante.

A sua participação fará com que a futura mamã não se sinta abandonada. O parto é um momento único e repleto de afecto e o simples acto de segurar a mão e a companhia transmitem segurança, proporcionando inclusivamente uma melhor evolução no trabalho de parto.

Todavia, para alguns pais, a hipótese de presenciarem o nascimento dos filhos, está fora de questão. Os relatos de experiências menos bem sucedidas, atormenta os futuros papás.

“E se desmaio?”
Na realidade, são poucos a quem isso sucede. Se efectivamente, o futuro pai deseja assistir ao parto, não se deve deixar influenciar por esse tipo de histórias.

Contudo, se não quiser estar presente, deve tentar falar com a futura mamã e explicar-lhe os seus temores. O facto de recear presenciar o possível sofrimento da futura mãe ou do recém-nascido é compreensível.

A sua decisão não deve criticar-se e por não ter assistido ao parto não poderá sentir-se marginalizado. O facto de um pai não presenciar o nascimento do seu filho, não vai ter quaisquer consequências negativas no desempenho das funções futuras como pai.

O pai presente
A maioria das maternidades e hospitais admite a presença do pai durante o trabalho de parto e, hoje em dia, são poucos os pais que recusam assistir ao nascimento dos filhos.

Todavia, os futuros papás, especialmente aqueles que esperam o seu primeiro filho, não compreendem o processo de dilatação e expulsão. Por isso, sentem-se, por vezes, ridículos quando têm de praticar, junto com as suas mulheres, os exercícios de respiração que fazem parte do curso de preparação para o parto. “Se quem tem de respirar é ela, porque é que eu tenho de praticar?”.

Aqueles que não frequentaram o curso com a futura mãe, colocam ainda mais questões: “O que faço quando começar o trabalho de parto e não encontrar o médico ou a parteira? Posso levá-la para o hospital? E se nasce em casa?”

Também é frequente, perante a proximidade do parto, a existência de dúvidas por parte dos pais quanto à idoneidade do médico e a qualidade da instituição.

É fundamental que o casal converse sobre a presença do pai no momento do parto, uma vez que nem sempre a sua presença é desejada pela mãe.

O pai deverá compreender a mulher que não deseja a sua presença, da mesma forma que a mulher deverá compreender a oposição do pai em estar presente. É essencial respeitar a motivação de ambos. O desentendimento relativamente a esta matéria não deve desapontar nenhum dos dois.

Quando o pai assiste ao parto, vive o nascimento do recém-nascido de forma emocional e orgulhosa. Sobretudo, pelo apoio emocional que transmite à mãe e pela partilha da própria experiência.

Pais informados
Os pais que acompanharam a gravidez passo a passo - estiverem presentes nas consultas e no curso de preparação para o parto - mais facilmente estão preparados para saber quando o parto está iminente.

Mal se manifestam os sinais de parto, e as contracções se iniciam, sabem avaliá-las e contabilizam mais facilmente o tempo para transportarem a futura mamã para a maternidade.

Permanecem mais serenos, pois têm a responsabilidade de providenciar o transporte e acompanhar a futura mamã à maternidade.

Quando chegam à instituição, tratam do processo de admissão, e para tal, facilita terem preparado com antecedência os vários documentos e exames que devem acompanhar a grávida.

Independentemente da sua presença na sala de partos, o acompanhamento permanente à sua companheira durante toda o trabalho de parto é indiscutível pois oferece um contributo valioso durante as horas que terá de esperar até ao momento da expulsão.

DESTAQUES

Muitas vezes, a mulher vai condicionando o futuro pai para que esteja presente no parto, sem lhe dar hipótese de dizer que não

Para que possa compreender e ajudar a sua mulher durante o trabalho de parto e o parto, é necessário que se lhe expliquem os conceitos fundamentais

Quando o pai está presente no parto, o vínculo com o bebé parece estabelecer-se mais precocemente

3 de maio de 2010

Saber esperar

A partir das 37 semanas de gravidez, espera-se que o bebé esteja pronto para nascer. Mas nem sempre é assim. Vários estudos indicam que, pelo menos, até às 39 semanas a barriga da mãe é o melhor sítio para se estar.

Marcar o dia do parto é, cada vez mais, uma prática habitual. Em Portugal e em muitos países ocidentais. Seja por cesariana ou por indução. Seja porque o médico sugere ou a pedido da mulher. Marca-se para garantir a presença do médico escolhido, marca-se para que o bebé nasça em determinado dia, marca-se para evitar que as águas rebentem numa hora que não dê jeito, marca-se porque se tem medo do inesperado. Marca-se o parto por muitas razões, poucas delas médicas, apesar de ainda nenhum estudo ter demonstrado que este procedimento é vantajoso para a mãe ou para o bebé.

Na gravidez, um dia a mais ou a menos pode fazer a diferença. A partir das 37 semanas, o bebé é considerado de termo, ou seja, estima-se que a maior parte dos bebés com esta idade gestacional esteja pronto para nascer. Mas nem sempre isso acontece. «A maturação enzimática do aparelho respiratório não acaba às 37 semanas. Não chega essa data e já está. É uma coisa progressiva. Por isso, à medida que o tempo passa, o bebé tem menos probabilidades de ter problemas respiratórios», explica Diogo Ayres de Campos, professor na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e obstetra no Hospital de São João, no Porto.

As recomendações internacionais, quer do Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia, quer do Colégio Inglês de Ginecologia e Obstetrícia, são no sentido de esperar sempre, pelo menos, pelas 39 semanas de gravidez para provocar o parto.

Duas investigações recentes vieram reforçar o consenso. Em Fevereiro de 2009, um estudo publicado no American Journal of Obstetrics and Gynecology revelou que, nos bebés nascidos de parto induzido entre as 37 e as 38 semanas, 17,8 por cento precisaram de ficar internados, em média, 4,5 dias na unidade de cuidados intensivos neonatais. Nos bebés nascidos entre as 38 e as 39 semanas, o número de internamentos desceu para oito por cento. Depois das 39 semanas, apenas 4,6 por cento dos bebés precisaram de cuidados especiais. Nas conclusões, os autores deixam bem claro: «O parto electivo antes das 39 semanas está associado a um aumento da morbilidade neonatal e a um aumento do número de cesarianas, sendo, por isso, inapropriado».

O estudo envolveu 14 955 nascimentos após as 37 semanas de gestação, em 27 hospitais americanos, durante o ano de 2007. Destes, 4645 foram marcados sem razão médica, o equivalente a um terço dos partos. Em Portugal, não se conhece o número exacto de induções. Mas estima-se que seja bastante acima do valor recomendado pela Organização Mundial de Saúde: dez por cento.

in http://www.paisefilhos.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=1929&Itemid=67

27 de abril de 2010

10 (bons) conselhos para um parto mais feliz

Qual é a mulher que, a dada altura, mesmo antes do parto, não se sente ignorante em relação à vontade do corpo, aos termos médicos, às rotinas hospitalares? Propomos-lhe um guia para a ajudar a descontrair. E ganhar confiança.

Até pode ser a mulher mais confiante do mundo, a mais segura, a mais optimista, a mais serena. Até pode ter um doutoramento em Física Quântica. Ou saber, de cor e salteado, o nome de todos os ossos do corpo humano. Quantas vezes, assim que se sabe grávida, a mulher sente a confiança sumir-se por entre exames, ecografias, palavras difíceis e medos fininhos. Não admira. A gravidez sempre foi, sempre será, uma espécie de mistério insondável. Tão natural, tão comum, mas tão diferente de todas as outras experiências de vida, tão incomparável.

O parto é o clímax dessa viagem ao desconhecido. O momento em que tudo se torna brutalmente real. Se anda à procura do segredo do parto feliz, ouça um bom conselho: em primeiro lugar, é preciso saber o que é parto. Fisiologicamente falando. Depois, é preciso saber o que se quer para esse momento. E, por último, é preciso aceitar a incerteza. Todos os partos são imprevisíveis e podem tomar um rumo diferente daquele que se imaginou.

O truque é assumir o controlo. Estudar, ler, perguntar. Tomar decisões. Ser a verdadeira protagonista do parto. Independentemente do desfecho. Sugerimos-lhe um guia em dez passos para chegar a esse de estado de alma confiante e maduro.

1. Faça a sua própria pesquisa

Estar bem informada é meio caminho andado para um parto mais tranquilo. Zita West, a famosa parteira britânica autora de vários best-sellers sobre fertilidade, gravidez e parto, diz, no livro «Cuidar do bebé antes do nascimento» (Civilização Editora), que «a familiaridade» da mulher com «os padrões de comportamento em cada fase do parto dá-lhe uma melhor compreensão do que se está a passar com o seu corpo e como lidar com isso». Acrescenta a especialista: «Um planeamento prévio é mesmo importante». Isto porque, diz Zita West, se a mulher estiver em boa «forma mental», o parto será, seguramente, mais fácil.

Por isso: leia, estude e procure esclarecimentos sobre as várias opções de parto. Não espere que a informação lhe caia no colo, não dependa da paciência e da disponibilidade do seu médico e, sobretudo, não adie. Evite pensar que, sobre o parto, «logo se vê». O obstetra do Hospital de S. João Diogo Ayres de Campos defende que o «verdadeiro envolvimento na decisão sobre as intervenções de saúde só funciona quando as grávidas estão bem informadas das alternativas possíveis». O médico recomenda os sites da Cochrane Collaboration (http://www.cochrane.org/reviews/en/subtopics/87.html), «que contém resumos em linguagem simples dos melhores conhecimentos científicos actuais nesta área» e a página «Information for patients» do site do Colégio Inglês de Ginecologia e Obstetrícia (www.rcog.org.uk).

No entanto, estar bem informada não significa, necessariamente, estar bem preparada. Ler todos os tratados de obstetrícia publicados até hoje não é, seguramente, o passaporte para o parto perfeito. Seja selectiva e comedida. Estude, mas relaxe. Questione, mas confie. A igualmente famosa obstetra inglesa Gowri Motha destaca, no livro «Método para um parto suave» (Estrela Polar), o «maior obstáculo» a uma boa experiência de parto: «duvidar de si própria». Escreve a médica: «Acha que vai conseguir? Se a sua resposta imediata for ‘não’, aquilo que tem de enfrentar e ultrapassar não é a química, mas o cepticismo».

2. Não vá às consultas sozinha

Pode parecer complicado, conseguir que o seu parceiro tenha sempre disponibilidade para a acompanhar ao médico, aos exames, às ecografias, às sessões de preparação para o parto. Mas insista, a gravidez não foi inventada para ser vivida apenas pela mulher. Se, por qualquer razão (o emprego, por exemplo), ele não puder mesmo ir, peça à sua mãe, ao seu irmão, à sua melhor amiga.

Frisamos este ponto, não apenas porque é bom partilhar emoções, mas, sobretudo, porque é útil estar mais uma pessoa no consultório. Essa pessoa pode colocar as questões que a grávida não se lembrou – ou não se sentiu à vontade – para colocar. Pode ajudar a desdramatizar a situação se o obstetra falar na necessidade de realizar uma amniocentese. Vestir a capa da racionalidade se os sentimentos tomarem conta do momento. Ou servir de porto seguro se alguma coisa estiver a correr menos bem com a gravidez.

Não faça cerimónia. Peça companhia para ir às consultas pré-natais.

3. Faça perguntas

Há que dizê-lo com frontalidade: mulher grávida é sinónimo de mulher vulnerável. Por mais pós-graduações que tenha, assim que entra no consultório do obstetra e mergulha na rotina de exames, medições e termos complicados, não há estudos que valham. As dúvidas, as inquietações, os medos surgem quase do nada.

Por vezes, a insegurança não permite sequer que a grávida coloque ao médico todas as perguntas que tinha em mente. É normal sentir este desassossego no peito. Mas, por mais ansiosa que esteja, não desista de fazer todas as perguntas que lhe assaltam o espírito. Mesmo aquelas (aparentemente) mais tontas: ‘quanto tempo dura a gravidez?’, ‘o que é uma contracção?’. Familiarize-se com conceitos como rompimento das membranas e episiotomia. Informe-se sobre os riscos e os benefícios da epidural.

Não tome nada como um dado adquirido. Se não perceber as explicações do médico à primeira, peça para ele a aclarar outra vez – não tenha vergonha de o dizer.

Depois de realizar uma ecografia, espere pelo momento em que já está vestida, frente-a-frente com o médico, para dissipar as dúvidas. Desta forma, estará mais atenta e sentir-se-á menos vulnerável.

Se o obstetra lhe propuser uma determinada intervenção (indução do parto, cesariana), tente perceber bem as razões e pergunte se não há procedimentos alternativos. Se lhe for pedido que assine um consentimento informado, leia o documento com atenção, sem pressas. Moral da história: não leve dúvidas para casa.

4. Seja diplomata

Nem sempre é fácil argumentar com um profissional de saúde. Muito menos quando se carrega um filho na barriga. A ansiedade, o medo, a ignorância em relação aos aspectos técnicos toldam o espírito crítico e a grávida acaba, muitas vezes, por dizer sim a tudo. Mesmo quando lhe apetece dizer não. O nosso conselho neste caso é muito simples: seja diplomata. Isto é, procure ser assertiva, sem ser agressiva. Nada de bom virá de um confronto com o seu médico ou com a parteira que a vai assistir na maternidade.

Se não concorda em absoluto com os procedimentos propostos pelos profissionais, procure apresentar uma solução alternativa. Resista à tentação de insistir que está no seu direito, que o parto é seu e que pesquisou exaustivamente sobre tudo. Por exemplo: se o obstetra lhe quer induzir o parto às 41 semanas (prática muito comum actualmente), mas essa não é a sua vontade, decline delicadamente (desde que o bebé esteja bem), sugerindo uma vigilância mais apertada nessa semana.

Ou se não deseja ter estudantes de medicina ou de enfermagem no seu parto, recuse a presença destes profissionais, argumentando que já há hospitais, caso do S. João, no Porto, onde não é permitido estar mais do que um estudante nos quartos de parto. Seja firme, mas serena. Acredite, é o melhor para si e para o seu bebé.

5. Tome as suas próprias decisões

Tomar decisões acerca do parto, «de forma consciente e informada», ajuda as mulheres a sentirem-se mais responsáveis pela sua própria vida. Nas palavras de Luísa Condeço, presidente da Associação Doulas de Portugal, essa atitude pró-activa dá à grávida uma sensação de poder e uma «vontade de crescer». Mesmo que o parto não corra como planeado, mesmo que o desfecho seja o contrário daquilo que se idealizou, «o caminho foi traçado pela mulher». E isso, só por si, é bom.

«Delegar é mais fácil», nota a doula. Dessa forma, «a mulher pode dizer que a culpa de ter tido uma má experiência de parto é dos outros» – do médico, das enfermeiras, dos familiares. Mas escolher é mais benéfico: «A evidência científica prova que quando a mulher tem possibilidade de escolha, e exerce esse poder, o parto decorre de forma mais positiva».

«Tomamos decisões em relação a quase tudo na vida – o marido, o emprego – mas deixamos o parto nas mãos de terceiros. Porquê?», questiona-se Luísa Condeço. A doula recomenda às grávidas que se informem sobre os vários aspectos do nascimento (posição para dar à luz, episiotomia, soro, cesariana, indução do trabalho de parto). Só assim poderão decidir, só assim poderão saber como gostariam de viver «um dos momentos mais transformadores das suas vidas».

Ter poder de decisão não é, contudo, igual a questionar constantemente a palavra do profissional de saúde que acompanha a gravidez ou que assiste o parto, alerta Luísa Condeço. Tem mais a ver com o «processo de descoberta individual do modo como se olha para o parto» do que com confronto de opiniões e ideais.

Um último conselho, acrescenta a doula, talvez o mais importante de todos: nunca é cedo demais para se começar a pensar no parto.

6. Escolha o médico e a maternidade

Não é preciso plantar-se à porta do médico assim que descobre que está grávida. Mas é importante pensar nisso e tentar perceber se o clínico que consulta habitualmente é o médico mais indicado para seguir a sua gravidez. Tem confiança nele? É acessível? É receptivo às dúvidas existenciais próprias de uma grávida? Responde claramente às suas questões? Sente-se à vontade para lhe fazer perguntas...? Depois, a eterna questão: ser seguida no sector público ou no privado?

Se optar pelo público, a vigilância da gravidez ficará a cargo, numa primeira análise, do médico de família. Em caso de necessidade (gravidezes de risco), a mulher é encaminhada para o hospital de referência. O parto poderá depois ser assistido na maternidade ou no hospital que a mulher quiser - um despacho de 2006, assinado pelo então ministro da Saúde, Correia de Campos, consagrou às grávidas o direito de escolherem livremente o local onde desejam ter os seus filhos. Se o sistema privado lhe parece a melhor solução, terá de tentar encontrar um obstetra pelos seus próprios meios. O nosso único conselho é que procure um médico que saiba respeitar a sua vontade e que esteja disponível para as suas inquietações.

Quanto à escolha da maternidade, recomendamos vivamente que tenha uma atitude pró-activa. Visite as instalações, faça perguntas, solicite as estatísticas das cesarianas e dos partos induzidos, peça para ter acesso às condutas da unidade (orientações clínicas para o parto). Ficará a saber, por exemplo, que na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, a episiotomia é efectuada apenas em caso de necessidade e que, por norma, não são oferecidos ao bebé leite artificial e chupetas. Ou que no Hospital de S. João, no Porto, tem à sua disposição uma banheira para poder relaxar durante a dilatação e um quarto livre de intervenções clínicas desnecessárias se desejar ter um parto o menos medicalizado possível.

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Fazer um plano de parto é uma oportunidade para a mulher expressar os seus desejos, chamando si a papel principal durante o nascimento do filho. É sobretudo um pretexto para procurar informação sobre os procedimentos médicos e reflectir sobre eles. «Com o início das dores do trabalho de parto, podem perder-se algumas das capacidades de concentração, discernimento ou poder de transmissão destas ideias, pelo que a listagem prévia tem vantagens óbvias», defende Diogo Ayres de Campos.

No plano de parto, a grávida pode incluir tudo o que achar importante, mas é de bom-senso que o texto seja conciso e se restrinja àquilo que a mulher acha verdadeiramente relevante. Não deve ser visto como uma lista de exigências. Em todos os partos podem ocorrer imprevistos que obrigam a uma mudança de rumo. Se a mulher achar que os profissionais têm a obrigação de cumprir cegamente as medidas por ela enumeradas, podem surgir conflitos, o que prejudica a evolução do trabalho de parto.

A par dos médicos, os enfermeiros especialistas em Obstetrícia e Saúde Materna são os profissionais de saúde que mais podem ajudar as mulheres a planear o seu parto. Maria de Lurdes Francisco exorta as grávidas a procurarem estes especialistas nos centros de saúde ou nas unidades de preparação para o parto (públicas e privadas).

8. Escolha um acompanhante para o parto

Não pense nesta questão como estando resolvida à partida. O apoio contínuo de outra pessoa durante o parto é uma das circunstâncias mais determinantes de uma boa experiência. Não por acaso, o Instituto Nacional para a Saúde e Excelência Clínica (NICE), organização britânica de grande importância científica, incluiu este aspecto nas suas recomendações para o parto. Segundo o NICE, a presença e o apoio emocional de outra pessoa durante o parto reduzem os pedidos de analgesia e a probabilidade de o nascimento terminar em cesariana.

É, por isso, fundamental que a pessoa que vai estar ao lado da grávida compreenda exactamente a importância desta missão, defende Luísa Condeço. «Deve saber quais as necessidades básicas de uma mulher em trabalho de parto – silêncio, pouca luz, segurança e privacidade – e ter uma noção mínima do que é o nascimento», recomenda a doula. O acompanhante é uma espécie de «guardião» da vontade materna, deve, por isso, ser alguém «em quem a mulher confie incondicionalmente», acrescenta Luísa Condeço.

Se essa pessoa deve ou não ser o pai, a doula aconselha alguma reflexão: «Nem sempre o pai é a pessoa mais preparada, mais serena, e é importante que a mulher tenha ao seu lado alguém que sabe ao que vai». E com quem partilhe uma grande intimidade física: «No parto, não pode haver máscaras. A mulher precisa de se sentir livre para deixar o corpo falar. Se, por alguma razão, não tem esse nível de intimidade com o marido, não deve ter receio de dizer que prefere ter outra pessoa a apoiá-la no parto, como a mãe, a parteira ou uma doula».

9. Não tome decisões antecipadas em relação à epidural

A epidural é o mais método mais eficaz na eliminação da dor durante o parto. Por essa razão, muitas mulheres vão para o nascimento dos filhos com a decisão em relação a esta técnica anestésica já tomada. Para umas, é um sim inquestionável, para outras, um não absoluto. A enfermeira Maria de Lurdes Francisco recomenda alguma reflexão: «Em primeiro lugar, é preciso saber o que é a epidural. Quantas mulheres o sabem, na realidade? Depois é preciso conhecer os riscos para a mãe e para o bebé – há sempre riscos. E por último, é preciso desmistificar alguns medos, como o de não conseguir fazer força na altura da expulsão».

A informação sobre a epidural (efeito, contra-indicações) deve ser recolhida antes do parto, sublinha a especialista, mas a decisão só deve ser tomada na altura do nascimento. Não é possível antecipar a intensidade da dor de parto nem o nível de resistência da parturiente.

Quanto mais inflexível for a intenção da mulher em querer receber uma epidural, menos tolerante será em relação a qualquer sensação dolorosa durante o parto. Isto poderá levar a situações, diz Maria de Lurdes Francisco, em que a primeira coisa a ser exigida assim que chega à maternidade é a epidural. Sem pensar no resto.

O mesmo é válido para as mulheres que têm um sentimento oposto em relação à epidural. Por vezes, há factores que potenciam a dor: posição de parto, ambiente hospitalar, decisão de acelerar o nascimento com fármacos, trabalho de parto longo. Nestes casos, a técnica pode ajudar. O melhor é esperar para ouvir o que diz o corpo.

10. Prepare-se para os imprevistos

Não há dois partos iguais, costuma ouvir-se da boca de médicos e parteiras. E é bem verdade. Todos os nascimentos são imprevisíveis e podem terminar de uma forma muito diferente daquela que se idealizou. Embora seja essencial pensar no parto antecipadamente, planeá-lo, imaginá-lo, é importante que a grávida saiba que os imprevistos acontecem. E que, quando a experiência termina de uma forma radicalmente oposta à desejada, ela não falhou. Aconteceu.


Um último apelo: se possível, deixe de trabalhar cedo. Vá para casa sonhar com o seu bebé, fazer bolos, dobrar roupinhas, preparar-se. Gravidez não é doença, dir-lhe-ão. Pois não. Mas é um estado físico e emocional incomparável, responda-lhes. Boa viagem.

Plano de parto

Um plano de parto é algo muito pessoal. Cada grávida terá os seus desejos para o seu parto. Aqui fica um exemplo de algumas opções que podem ser incluídas no plano. Outras poderão ser acrescentadas.

Plano de parto

Exmos. Srs.

Envio a lista das minhas preferências para o nascimento do meu filho. Se alguma das opções não puder ser seguida, gostaria de ser previamente informada e consultada a respeito das alternativas.

Nome:

Data prevista para o parto:

Médico assistente:

Questões de admissão

Gostaria que não me rapassem os pêlos púbicos

Gostaria que não me administrassem um clister. Se achar necessário, eu própria o farei em casa

Presenças na sala de parto

Gostaria que (marido, mãe, amiga, doula) estivesse sempre comigo

Gostaria que não estivessem estudantes na sala de parto

Não me oponho a que estejam estudantes presentes

Gostaria que não estivessem pessoas constantemente a entrar e a sair da sala de parto

Ambiente na sala de parto

Gostaria de ouvir música escolhida por mim

Gostaria de ter luzes suaves na sala de parto

Gostaria que houvesse silêncio (dentro do possível) por parte dos profissionais

Dor

Gostaria de usar a bola de parto durante a dilatação

Gostaria de usar água como forma de alívio de dor

Gostaria de receber a epidural o mais cedo possível

Gostaria que não me oferecessem a epidural, a não ser que eu a solicite

Trabalho de parto

Gostaria de poder beber água ou chá

Gostaria de poder comer

Gostaria que não me fossem administrados líquidos por via intravenosa (soro)

Gostaria de não estar ligada ao sistema de monitorização electrónica fetal (CTG) continuamente. Se o bebé estiver bem, preferia que me fizessem auscultação intermitente

Gostaria de ter liberdade de movimentos durante o trabalho de parto

Gostaria de escolher a posição para parir

Gostaria de circunscrever ao mínimo o número de exames vaginais (toques)

Gostaria de ser sujeita a episiotomia apenas se o procedimento for necessário para a segurança do bebé

Prefiro que me seja efectuada uma episiotomia para evitar a laceração do períneo

Gostaria de tocar na cabeça do bebé assim que ele coroar (estiver à vista)

Pós-parto

Gostaria que o bebé fosse posto no meu colo imediatamente após o nascimento

Gostaria que os exames ao bebé fossem realizados na minha presença

Gostaria que não me separassem do bebé em nenhum momento

Gostaria que o cordão umbilical fosse laqueado depois de pulsar até ao fim

Gostaria que fosse a cortar cordão umbilical

Gostaria de dar de mamar na primeira hora a seguir ao parto

Gostaria que não oferecessem suplemento ou chuchas ao bebé sem o meu consentimento

Gostaria de ver a minha placenta

Em caso de cesariana

Gostaria que estivesse presente

Gostaria que baixassem a cortina no momento do nascimento

Gostaria de ter as mãos livres para poder segurar no meu bebé imediatamente após o nascimento

O que fazem aos bebés nas maternidades



«Num parto normal, logo que o bebé é expulso é envolvido numa toalha aquecida e colocado em cima do abdómen na mãe. Nesse momento é feita a expressão das vias aéreas e a clampagem do cordão umbilical», diz Nélia Alves, enfermeira graduada da maternidade do Hospital de D. Estefânia.

«Em seguida, é explicado aos pais que o bebé vai ter de ir para a mesa, sob uma fonte de calor, para não arrefecer e lhe serem prestados os cuidados iniciais». É aqui que surge a primeira clivagem nos procedimentos. Grande parte do pessoal médico e de enfermagem defende que é imprescindível manter o bebé aquecido com recurso a fontes externas. O pediatra e pedopsiquiatra Diudonné Volker tem outra opinião. «Se o bebé nasceu bem e se a mulher também se encontra bem, não há motivo para que não permaneça os minutos que sejam precisos em cima da barriga dela, evidentemente com o corpo resguardado, mas beneficiando da melhor fonte de calor que existe: a mãe.» Momentos «irrecuperáveis que vão ser determinantes para a vinculação precocíssima entre mãe e filho, que tantos efeitos terá nos tempos seguintes. A mulher precisa de começar essa ligação e é também uma grande ajuda para o bebé, cujo ambiente físico e psicológico é completamente transformado em poucos segundos, com todo o stresse que isso acarreta», advoga o médico alemão, que presta serviço no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.


O pediatra Mário Cordeiro partilha esta argumentação. «Após o parto, a natureza faz aumentar a temperatura do peito e dos braços da mãe. E isto acontece precisamente para garantir que ele não arrefece e que pode começar a conhecer quem é a sua mãe – e, preferencialmente também o pai. Quando, eventualmente, tiver de sair do colo dela, irá muito mais sossegado e deixará também o casal mais tranquilo», defende, acrescentando: «O essencial é que, nesses preciosos primeiros momentos, o bebé não seja ‘roubado’ aos pais, sob pretexto algum. Nenhum profissional de saúde se deve outorgar o direito de querer aquela criança. Ela pertence aos pais e os pais pertencem-lhe a ela!».


Mas existem procedimentos essenciais que são possíveis de realizar, quer o bebé esteja junto dos pais, numa mesa aquecida na sala de partos – como acontece no D. Estefânia –, ou numa sala diferente daquela onde ocorreu o nascimento. É o caso do teste de Apgar (ver caixa), imprescindível para avaliar de forma rápida e eficaz o estado da criança que acaba de nascer. Determinar o sexo, nos casos em que ainda é desconhecido, e a observação de eventuais grandes malformações e uma primeira auscultação ao coração e pulmões são também intervenções que não dependem de nenhum posicionamento específico. «Há que ter paciência para esperar e dar tempo à família. Tal não significa que não se procure fazer uma primeira avaliação, nem que seja à distância, e manter um olhar vigilante sobre a forma como o bebé se está a comportar», diz Diudonné Volker.

ASPIRAR OU DEIXAR CHORAR

As formas de proceder voltam a multiplicar-se quando chega o momento de avaliar outros parâmetros do recém-nascido. Existem enfermeiros e pediatras que, por norma, realizam a aspiração e a sondagem gástrica (ver caixa) a todos os bebés. Outros avaliam o choro e a respiração e só depois optam pelos dois, por um ou por nenhum dos procedimentos. «É uma decisão que cabe ao profissional de saúde e depende de muitos factores, entre os quais a formação de base, as convicções técnicas e a experiência», afirma Nélia Alves. Por exemplo, Diudonné Volker não é adepto da aspiração em todos os casos - «existe um sistema de auto-limpeza das vias áereas que é muito eficaz na maioria das vezes», afirma – mas considera essencial garantir que não existe «uma malformação que impeça a comunicação entre a boca e o estômago», o que é realizado por sondagem.


Aspirados ou não, sondados ou não, todos os bebés que nascem no hospital ou na maternidade são, nos minutos que se sucedem ao parto, limpos do líquido amniótico e/ou do mecónio, através de lençóis e toalhas aquecidos, soro fisiológico ou água. Se existe risco de transmissão de doenças infecciosas, o recém-nascido é lavado antes de lhe serem ministradas gotas nos olhos (ver caixa) e vitamina K. É aqui que Mário Cordeiro ressalva: «Os pais deveriam ser sempre informados sobre o que está a acontecer e ser-lhes pedida autorização para ministrar a vitamina e o colírio, não sendo confrontados com o facto consumado».


Antes de pesar, identificar e vestir o recém-nascido, o pediatra é chamado a realizar uma observação mais pormenorizada. O médico avalia o estado do sistema nervoso, explorando os reflexos do bebé; a configuração do abdómen e o posicionamento dos órgãos internos; a flexibilidade e a mobilidade dos membros; os órgãos genitais e a região anal. «Se houver necessidade de proceder a uma acção clínica imediata, como é o caso de cirurgias correctivas ou de emergência, os momentos que se seguem à limpeza do bebé são os ideais para o pediatra tomar uma decisão que pode fazer toda a diferença», afirma o pediatra Frederico Leal, que há mais de duas décadas e meia presta serviço no D. Estefânia.
Segue-se a identificação do recém-nascido, realizada através de uma pulseira de plástico, de cor rosa ou azul e – nas instituições que já possuem o sistema – a colocação de uma pulseira electrónica anti-rapto num dos tornozelos. A azáfama começa a acalmar na altura da refeição inicial do bebé e aí todos os profissionais contactados pela PAIS& Filhos concordam: a agenda perfeita dos primeiros minutos culmina na mama da mãe.


A classificação de «Hospital Amigo dos Bebés» - à qual o D. Estefânia está neste momento em processo de candidatura – determina que, entre os primeiros 30 minutos e a hora de vida, seja feita uma tentativa de amamentar o recém-nascido, cabendo aos técnicos o papel de acompanhantes, formadores e incentivadores do processo. «Tal só não acontece quando a mãe está mesmo impossibilitada de o fazer, ou quando se mostra irredutível na recusa em dar de mamar. O suplemento é dado apenas em último caso, quando não existe nenhuma outra alternativa, e abandonado logo que possível», garante Nélia Alves.

25 de março de 2010

O acompanhante durante o parto


Não é uma tarefa fácil e talvez por isso seja muito importante estar preparado, fisica e psicologicamente, para a desempenhar da melhor forma possível. Geralmente incumbe ao parceiro, mas também pode ser desempenhada pela mãe, sogra, irmã, amiga ou outra pessoa da sua confiança.


O que se deve fazer quando se assiste ao parto?

O acompanhante não deve criticar a parturiente ou queixar-se, durante o trabalho de parto. Deve resistir ao impulso de a mandar fazer força. Em vez disso deve elogiá-la, dizendo-lhe que está a fazer um óptimo trabalho e que tudo está a correr bem. Deve, acima de tudo, manter a calma, transmitindo confiança à parturiente e fazendo-a sentir-se segura e apoiada.

Se por um lado algumas mulheres evitam o contacto físico com outras pessoas durante o parto, outras há que preferem estar de mão dada ou agarradas ao braço da pessoa que as acompanha, é a maneira que encontram de não se sentirem sós durante o trabalho de parto. O acompanhante deve oferecer-se para lhe fazer uma massagem ou ajudá-la a mudar de posição, isto é, deve, dentro do possível, antecipar-se às suas necessidades, dando-lhe água ou qualquer coisa para mordiscar se ela assim o desejar, colocando-lhe compressas ou oferecendo-lhe mais cobertores.

É aconselhável que o acompanhante esteja preparado para satisfazer as suas próprias necessidades, nomeadamente tendo consigo alguma coisa para comer e beber, uma muda de roupa, caso necessite e um livro ou um leitor de cassetes ou de CD’s, pois nunca se sabe o tempo que a parturiente demorará a entrar em trabalho de parto ou o tempo que este demorará.

Se, por qualquer motivo, você se sentir fraco e pensar que poderá desmaiar, sente-se e tente acalmar-se. Se não o conseguir saia da sala, pois se desmaiar lá dentro só aumentará a confusão. Há que saber reconhecer as suas fraquezas, em benefício da parturiente.


O que não se deve fazer?

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Por muito avançados que sejam os equipamentos hospitalares e por muito grande que seja o seu interesse nos mesmos, evite fazer observações desnecessárias e, principlamente, evite antecipar a dor das contracções, pelo facto de conseguir detectar, através dos equipamentos, a chegada da próxima contracção. Não se sente a ver televisão da sala de espera para não correr o risco de se distrair, esqueçendo-se, por completo, da parturiente.É ela quem precisa de distracção, por isso dê-lhe atenção e ande com ela de um lado para o outro, pergunte-lhe se ela quer tomar um duche ou se prefere ouvir música. Nesta hora, é o bem estar da parturiente que está em causa, bem estar esse que deve motivar todos os seus actos.

Tente não estar sempre a chamar pelo médico ou pelo pessoal de enfermagem, especialmente se eles já lhe explicaram que ainda não chegou a hora. Sente-se calmamente onde lhe disseram para o fazer ou ande com a parturiente, enquanto esta puder. Importante é não a encorajar a fazer força, sem que o médico diga que chegou o momento. Estará só a dificultar as coisas. Tenha, igualmente, a sensibilidade suficiente para perceber que filmar ou tirar fotografias na sala de parto pode ser desconfortável e desconcertante. Tente não incomodar e espere que o médico lhe diga quando pode colocar-se em posição para tirar a fotografia dos seus sonhos. Por outro lado há que manter-se firme em certos aspectos, tais como evitar que as pessoas que a parturiente não quer que assistam ao parto, o façam, é o bem estar dela que se impõe e foi a si que ela escolheu para a ajudar a garanti-lo.

Se a parturiente se irritar consigo ou o/a criticar por tentar ajudá-la, não se ofenda, pois o estado de dor em que a mesma se encontra faz com que diga coisas que não pensa e não sente.
Acima de tudo tente não perder a oportunidade de assistir ao parto de alguém que ama e lhe pede que o faça. É um momento maravilhoso que recordará sempre e fará com que aprecie cada vez mais o milagre que é a vida.

5 de março de 2010

Ritual de coroação

Desde que a cabeça do bebé coroa até à expulsão do corpo são quinze minutos. Mas parecem quinze horas. É a melhor e a pior parte do parto.

Sente-se um alívio gigante quando, no meio das dores e do cansaço, alguém nos diz: «Já se vê a cabeça do bebé». Parece mentira. Um boa notícia, finalmente. Uma recompensa pelo esforço contínuo de há duas, sete, 12, às vezes 24 horas.

«Já se vê a cabeça», dizem-nos. E nós imaginamos uma cabecinha cor-de-rosa, lisinha, redondinha. Mas o que se vê parece meia noz a espreitar: escura e rugosa. A esta fase do parto chama-se coroação. É o alto da cabeça que se assoma, a parte onde se colocaria uma coroa.

Estamos na recta final da segunda fase trabalho do parto, o período expulsivo. Esta fase pode durar, no total, entre meia hora e duas horas (mais tempo nos primeiros filhos, menos tempos nos restantes). Começa quando a dilatação está completa, ou seja, quando o colo do útero chega aos 10 centímetros. Muitas vezes, é só nesta fase que rebenta a bolsa de águas. Outras vezes (embora raramente), o bebé até pode nascer dentro da bolsa, que se rompe nessa altura.

No período expulsivo, as contracções tornam-se mais prolongadas e sucedem-se cada vez mais rapidamente. Surge uma vontade incontrolável de fazer força (idêntica à vontade de ir à casa-de-banho) que resulta do saco amniótico ou parte dele avançar pelo colo do útero dilatado e fazer pressão no recto. Cada mulher deve seguir o seu instinto e fazer força quando e como quiser. Mas não é aconselhável fazer força antes de a dilatação estar completa, para não desperdiçar energias, nem rasgar o períneo.

O normal, nesta fase, é que, em cada contracção, se sinta vontade de fazer força três a cinco vezes (durante quatro a seis segundos). As contracções são intensas e focam-se na zona abdominal, lombar e pélvica e às vezes também nas pernas.

O bebé está a fazer pressão sobre o pavimento pélvico. A cada contracção, a cabeça move-se até encontrar o caminho. Depois roda e aparece na abertura vaginal.

A expulsão

Nem sempre a mulher consegue sentir que a cabeça do bebé já desceu. Por isso, é bom que alguém lhe diga que ela está mesmo ali, que faltam apenas mais duas ou três contracções para ter o bebé nos braços. Se estiver de cócoras ou sentada (as posições que mais facilitam o nascimento), a mulher pode pedir um espelho e ver a primeira nesga do seu filho ou pode esticar a mão e tocar-lhe. É absolutamente maravilhoso e dá a energia necessária para a próxima contracção. Como se fosse um impulso reflexo, imediatamente o corpo transforma-se numa onda gigante que rebenta na zona pélvica. A vontade de fazer força é agora maior do que nunca. Sente-se uma sensação de estiramento e de ardor na abertura vaginal. Chamam-lhe o «anel de fogo». A espessura do períneo é reduzida de aproximadamente cinco centímetros para menos de um centímetro. Depois do parto volta ao normal.

A passagem da cabeça do bebé pela pélvis só é possível porque o seu cérebro é extremamente macio e flexível. Além disso, os ossos do crânio estão divididos em placas separadas, cada uma capaz de se sobrepor ligeiramente sobre as outras. Características que permitem que a cabeça do bebé seja comprimida e moldada ao passar pelo estreito canal de parto. Ainda assim, o bebé pode nascer com a cabeça mais ovalada, mas uns dias depois essa forma desaparece.

A cabeça do bebé atravessa então a vagina e passa para o lado de fora. Ao mesmo tempo é expelida uma grande quantidade de líquido amniótico, como se fosse um jorro de água. Alguns médicos ajudam a cabeça a sair, dando um corte no períneo – a episiotomia. Em certos casos, pode ser necessário usar fórceps ou ventosa, especialmente se o parto já estiver muito prolongado e a mãe muito cansada. Mas, na maior parte das vezes, é possível esperar e deixar que o períneo se distenda gradualmente, ajudando a evitar lacerações. Manter a tranquilidade (tanto a mãe, como todos os que a rodeiam) é essencial para que este processo possa decorrer devagar, nos tempos certos.

A saída da cabeça talvez seja uma das partes mais dolorosas do parto, principalmente para as mulheres que não receberam analgesia. Estar numa posição vertical, imersa em água, gritar ou apertar mãos amigas são algumas das formas de aliviar a dor sem recorrer a fármacos. Têm a vantagem de proporcionar uma maior liberdade de movimentos e de permitir que a mulher controle quando e como fazer força, em vez de ter de esperar pelas indicações do médico ou do enfermeiro.

Com a cabeça do bebé já deste lado, a mãe pode descansar mais um pouco. Respirar fundo. Recuperar energias. Neste momento, o bebé está com o rosto virado para baixo, olhos fechados, pele muito vermelha ou arroxeada. Também pode estar com o rosto virado para cima e, assim, é mesmo necessária ajuda médica, pois o bebé terá mais dificuldade em fazer o movimento de rotação que lhe permitirá expulsar o resto do corpo da barriga da mãe.

Se estiver na posição certa, na maior parte dos casos, espera-se que o bebé decida avançar. Novamente, se a mãe lhe tocar na cabeça pode ganhar um fôlego extra, o último necessário para esta tarefa tão árdua quanto gratificante. Com a próxima contracção, e empurrado pela força da mãe, o bebé roda 45 graus, como se fosse uma espiral. Sai um ombro, depois outro e rapidamente o corpo todo está cá fora. Uma sensação de maciez passa pelo massacrado períneo, como se fosse uma massagem de agradecimento. Esta sensação deve-se ao facto de a pele do bebé estar coberta com uma matéria gorda chamada vérnix (verniz). Uma espécie de lubrificante da pele que o ajuda a escorregar pelo canal de parto. Este verniz tem uma cor esbranquiçada, que resulta da mistura de uma substância gordurosa produzida pelas glândulas sebáceas e das células de descamação do feto. Depois do nascimento, serve como camada isoladora para proteger o bebé da mudança de temperatura e como barreira defensiva de infecções ligeiras.

Idealmente, poderia ser a mãe a aparar o bebé, mas quase sempre é o profissional de saúde que lhe pega primeiro e o entrega à progenitora. As dores desaparecem. A emoção cresce. O reizinho chegou finalmente ao reino.

in http://www.paisefilhos.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=2150&Itemid=68

A dor boa

A dor de parto tem uma função: dizer à mulher o caminho que o corpo deve seguir para ajudar o bebé a nascer. Não se pode ter medo dela.

Margarida tinha pavor do parto. Chegou mesmo a ponderar nunca ter filhos, só para não ter de sentir as dores horríveis de que tinha ouvido falar. «Mas aconteceu!» As primeiras «moinhas idênticas às dores da menstruação» não a incomodaram muito, mas quando se intensificaram e passaram a ser de cinco em cinco minutos, Margarida decidiu ir a correr para o hospital. «Só desejava chegar lá a tempo de levar a epidural.» As dores «eram verdadeiramente intensas, mas nada que classificasse de insuportável».

Depois de receber a analgesia «foi num ápice, em três puxões a médica tirou o bebé com a ajuda de fórceps». No final, apesar de ter tido um parto «fantástico», Margarida confessa que ficou a sensação de faltar qualquer coisa: «Ficou-me a dúvida se de facto a epidural teria sido necessária. Afinal, fiz a dilatação toda sem qualquer anestesia. O facto de não sentir a força que fiz para a expulsão do bebé, de ter que aguardar a indicação da médica para saber quando devia fazer força, fez-me sentir que me podia ter empenhado mais no nascimento do meu filho.»

Vanda sempre achou que ia sair à mãe na facilidade em ter filhos. «Ela teve boas experiências de parto e não havia epidural na altura», conta. E assim foi. Vanda teve duas filhas sem anestesias e sem traumas. «Com a primeira, senti dores fortes, mas não foi difícil, porque foi muito rápido. Foi um parto excelente.» Com a segunda, o médico fez um toque que espoletou o início do trabalho de parto. Talvez por isso, «custou mais um pouco». E também porque foi mais demorado. «Passei o dia com aquela impressão de querer ir à casa de banho e não poder. Foi mais difícil. Ainda pedi a epidural, mas nunca chegou.» Apesar disso, o balanço é positivo: «Ainda bem que não tive epidural. Não corri riscos. E já me esqueci das dores».

Ana teve as duas experiências. No primeiro filho – parto induzido, a noite inteira deitada na mesma posição por causa do CTG, sem dilatação, mas com contracções intensas e dolorosas – suspirou pela epidural e só acalmou quando a recebeu. «Senti desespero, chorei, só queria que pusessem um fim ao meu sofrimento e ao do meu filho, que era também o meu. Por toda a forma como é acompanhado o parto nos hospitais portugueses, ainda bem que inventaram a epidural», afirma. Quatro anos depois, noutra maternidade, orgulha-se de ter feito nascer a filha sem epidural. «Com uma dor imensa sim, mas que nunca me levou ao desespero. Pelo contrário, deixava-me respirar nos intervalos e dava-me a certeza, racional, mas sobretudo instintiva, emocional, de que no meu corpo se estava a produzir um milagre.»

SEM MEDO DA DOR

A dor de parto, como todas as outras, é muito subjectiva, mas tem características que a distinguem de outras dores: não é patológica, ou seja, não significa que algo de errado se está a passar no corpo, tem intervalos que permitem recuperar as forças e esquece-se facilmente. A sua intensidade depende da preparação física e mental que se fez para o parto e das condições que o hospital oferece à mulher.

«A dor de parto tem uma forte componente psicológica. Costumo até dizer que 75 por cento da dor de parto está na cabeça», diz Rosália Marques, enfermeira especialista em enfermagem de Saúde Materna e Obstétrica na maternidade do Hospital Garcia de Orta, em Almada. «Depende do que nos foi incutido durante a gravidez, da nossa cultura, das nossas vivências», explica, para depois dar um exemplo: «Já assisti a partos de adolescentes sem qualquer analgésico, em que elas pouco se queixaram das dores. Dizem-me, muitas vezes, que são iguais às da menstruação. Não têm ainda a cultura do bíblico “parirás com dor” enraizada».

Para combater a cultura do medo do parto, é preciso perceber qual a função da dor no nascimento. «A dor dá indicações à mulher para mexer-se de forma a encontrar posições menos dolorosas. Assim, a bacia da mãe adapta-se melhor ao bebé, dando-lhe espaço para encaixar, e isso facilita o trabalho de parto», explica a enfermeira. Por isso, é tão importante que a mulher possa mexer-se à vontade, o que nem sempre acontece nos hospitais portugueses. «As instituições têm de se adaptar à procura de cuidados. Mas ainda estamos no início», reconhece.

No Garcia de Orta dão-se agora os primeiros passos na humanização do parto. Nesta maternidade, as mulheres podem fazer um plano de parto, deambular, ouvir música, mas ainda é a epidural que está no topo dos métodos de alívio da dor. «As mulheres ainda têm muito receio da dor e pedem a epidural precocemente. Apesar de ter cada vez menos riscos, não deixa de ser uma intervenção», frisa a enfermeira-obstetra.

A EPIDURAL

Uma intervenção que todas as mulheres deviam ter direito, afirma Rosário Marques, assistente graduada de Anestesiologia da Maternidade Alfredo da Costa. «É eficaz e segura», justifica. Os riscos são mínimos e passageiros e «estão associados à execução da técnica». O mais comum são as cefaleias - resultado da pós-punção acidental da dura-matér (membrana junto ao espaço epidural) - que passam com analgésicos, repouso hidratação ou espontaneamente, no máximo, em 72 horas.

Ao tirar a dor, a epidural tira também a possibilidade de a mulher participar activamente no nascimento do filho. Alguns estudos indicam que, por este motivo, o trabalho de parto pode prolongar-se e aumenta a probabilidade de recurso a fórceps e ventosa ou parto por cesariana. Conclusões refutadas por Rosário Marques: «Estudos prospectivos mais recentes concluíram que a analgesia epidural não afecta negativamente o progresso de trabalho de parto ou aumenta a taxa de partos por cesariana. A controvérsia persiste, no entanto, sendo que estudos aleatórios têm produzido resultados contrastantes», escreve a anestesiologista no trabalho «Quando iniciar a analgesia de trabalho de parto?», publicado na revista do Clube de Anestesia Regional.

No mesmo artigo, a anestesiologista lembra as recomendações do American College of Obstetrics and Gynecology: «O pedido da grávida é justificação suficiente para a instituição de analgesia durante o trabalho de parto». Rosário Marques subscreve estas recomendações e defende que o único requisito para a aplicação da analgesia deve ser o início do trabalho de parto: «Basta que a mulher tenha contracções, mesmo que não tenha dilatação».

ESCOLHA DEVE SER DA MÃE

Recentemente, Denis Walsh, conceituado parteiro britânico, incendiou a discussão sobre a utilização da epidural: «A dor de parto tem um propósito e é útil, tendo variados benefícios, tais como preparar a mãe para a responsabilidade de cuidar de um recém-nascido». Em declarações ao jornal The Observer, o parteiro condenou aquilo a que chama a «Cultura da Epidural» e evidenciou os benefícios da dor de parto, que diz ser parte de «um ritual de passagem» para a maternidade. «No Ocidente, nunca foi tão seguro ter um filho. Apesar disso, as mulheres têm mais medo do parto do que nunca», criticou.

Num trabalho que deverá ser publicado no jornal do Royal College of Midwives (associação de parteiras), Denis Walsh referiu ainda que 20 por cento das epidurais são aplicadas em mulheres que não precisariam delas, que há evidências de que o parto natural estimula mais as zonas cerebrais que vinculam a mãe ao filho do que o parto com analgesia ou a cesariana e que a dor prepara a mãe para a maternidade. O discurso deu azo a grande controvérsia no Reino Unido.

Muitas mães acusaram-no de não saber do que estava a falar, por ser homem e nunca poder sentir a dor de parto. Alguns profissionais de saúde consideraram o discurso um pouco exagerado. A enfermeira Rosália Marques lembra que ter um parto sem epidural pode aumentar a auto-estima da mulher. E sugere que talvez essa possa ser a explicação por detrás das declarações de Denis Walsh. «Depois de um parto natural, sente-se que uma etapa importante foi ultrapassada com sucesso. Essa sensação de “sou capaz” é bastante positiva e ajuda a mulher a superar pequenos problemas que possam surgir no imediato. Uma mãe com uma boa auto-estima poderá ter uma relação melhor com o filho», explica.

No entanto, a enfermeira defende que cada mulher deve poder escolher o que quer para o seu parto. «Não se pode culpabilizar uma mãe por não querer ter dor. A dor é subjectiva e prende-se com vários aspectos culturais.»

ALIVIAR A DOR SEM EPIDURAL

Liberdade de movimentos: ter liberdade de movimentos é a melhor forma de lidar com a dor. Andar, rodar as ancas, pôr-se de gatas, dançar suavemente com os braços pendurados ao pescoço de alguém, são alguns dos movimentos recomendados. Mas cada mulher encontrará as melhores posições para lidar com a sua própria dor. Desta forma, seguindo as indicações da dor, permite-se que o bebé tenha o máximo espaço possível para se mexer e sair. Pode também usar uma bola de partos durante a dilatação. Sentar-se direita sobre a bola, com as pernas abertas, estimula a pelve a alargar e a abrir. Quando as mulheres podem escolher a posição em que querem dar à luz, a maior parte fá-lo de cócoras, em pé ou sentada. As posições verticais, por contarem com a ajuda da gravidade, facilitam o trabalho de parto e a expulsão do bebé. Vários estudos têm demonstrado que se a mulher estiver em posição vertical na primeira fase do trabalho de parto tem menos dor, menos necessidade de analgesia epidural e a fase de dilatação será mais curta.

Apoio contínuo: ter ao lado o marido, a mãe ou uma amiga ajuda a lidar com a dor. O acompanhante pode fazer uma massagem nas zonas mais doridas, pode dançar (como é sugerido acima), fazer festas no cabelo ou no rosto, dar a mão, deixar a mulher apoiar-se em si. Ou seja, disponibilizar o seu corpo também. O contacto físico é um poderoso analgésico em qualquer situação, por isso, também no parto. Além disso, ter alguém importante ao lado favorece o estado emocional, dá segurança. Alguém que conheça bem a mulher e perceba as suas necessidades, lhe diga o que precisa ouvir (e saiba estar calado quando for necessário), ajudará, com certeza, ao alívio da dor. Uma revisão de estudos do Cochrane Institute (EUA) concluiu que as mulheres que contaram com apoio contínuo durante os seus partos tiveram menos necessidade de analgésicos e ficaram mais satisfeitas com a experiência.

Água: a utilização de água quente durante a dilatação induz a mulher ao relaxamento, reduz a ansiedade estimulando a produção de endorfinas, encurta o trabalho de parto e aumenta a sensação de controlo da dor e a satisfação. A mulher pode ter à sua disposição uma banheira cheia de água (a temperatura não deve ultrapassar os 37 graus) e ir saindo e entrando conforme lhe for mais agradável. Esta hipótese é, no entanto, ainda muito rara nos hospitais portugueses. Algumas maternidades permitem um duche de água quente – que também pode ser bastante agradável – mas apenas numa fase muito inicial do trabalho de parto.

Ambiente: diminuir a intensidade das luzes, manter a porta fechada, desligar os telemóveis, ter no quarto o mínimo de pessoas possível, evitar conversas paralelas entre os profissionais de saúde. Quanto menos estímulos existirem no quarto, mais facilmente a mulher consegue relaxar e concentrar-se no trabalho de parto, o que contribui para o alívio da dor. Ouvir uma música suave ou escolhida pela mulher também pode ajudar a criar um ambiente calmo e relaxante.

Fontes: Iniciativa Parto Normal, um documento de consenso, da Associação Portuguesa de Enfermeiros Obstetras; Método para um parto suave, de Gowri Motha.

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