4 de abril de 2017

Uma gravidez diferente do esperado

Foram alguns anos a planear, foi muito pensada e muito desejada.

Desta vez queria que fosse diferente, queria aproveitar mais, desfrutar mais, fazer as coisas que não fiz na primeira, mais sessões fotográficas, mais passeios, mais tempo a desfrutar a barriga, os pontapés, abrandar o ritmo frenético para viver em pleno esta que, talvez, seja a minha última gravidez.

Gosto de planear, de saber o que vou estar a fazer daqui a 1 dia, 1 mês, 1 ano...

E, afinal, tudo foi diferente, nada do que planeei se concretizou dessa forma.

Soube que estava grávida quando num dia agitado de trabalho senti dores no baixo ventre que quase me impossibilitavam de andar, estava apenas de 4 semanas... a partir daqui tudo foi diferente da primeira e do que esperava.

Às 12 semanas uma perda abundante de sangue levou-me às urgências, um descolamento da placenta que me obrigou a repouso absoluto durante algumas semanas.

O descolamento foi melhorando e eu ganhei a confiança de que, dali em diante, tudo melhoraria.

Não foi bem assim, apareceram valores  alterados no útero que podiam impedir o normal crescimento do bebé e risco de pré-eclampsia... repouso até ao final.

Meses difíceis, de muita angústia, dúvidas, incertezas...inicialmente não conseguia sentir que o meu bebé ficasse bem, que nascesse bem.

Aos poucos fui ficando mais confiante e foi na eco às 33 semanas que ouvi, pela primeira vez, ele está óptimo e a crescer muito bem...Não consegui conter as lágrimas, tentei engoli-las, foi o culminar de tantos meses difíceis, de tantas lágrimas...desta vez eram lágrimas boas!

Hoje sei que o meu G é um Guerreiro e que batalha a batalha vamos conseguir sair vitoriosos desta luta.

É indescritível... e tudo valeu a pena!

Não posso escrever sobre esta gravidez sem falar do B, que tem sido marido, Pai, dono de casa, cozinheiro, motorista... sempre de uma forma exemplar e nunca me deixando cair. Obrigada por seres assim e cuidares tão bem de nós!

2 de abril de 2017

O avô foi ajudar o Jesus

Aos 6 anos já o M tinha assistido à perda de dois bisavós.
Tinha apenas 2 anos quando o avô Zé partiu.
Acompanhou a sua doença, diariamente, em nossa casa, pois o companheiro de brincadeiras estava então mais sossegado, já não podia sentar-se no chão a montar legos ou correr atrás da bola.

Muitas foram as vezes em que perguntou porquê e fomos dizendo que o avô estava doente e não podia. As brincadeiras enérgicas deram, então, lugar a leituras de histórias e muitos mimos.

No mês em que o avô esteve hospitalizado, muitas foram as vezes em que, em vez de ficar a brincar no parque infantil do IPO, enquanto um de nós fazia companhia ao avô, pedia para também o ver...não mais o viu, aquele não era sítio para um menino tão pequeno e, muito menos, queríamos que guardasse aquela imagem do avô que tanto adorava.

O dia de nos despedirmos do avô chegou e, à pergunta diária 'o avô Zé já está bom?' não podemos esconder.
Explicámos-lhe que o avô tinha ido para perto do Jesus - aquele Jesus que vê tudo o que fazemos e gosta dos meninos que se portam bem.
As perguntas começaram e, algumas, mantém-se até hoje.
'Porque o avô teve que ir para o Jesus?' - porque o Jesus tem tantos meninos para tomar conta que precisa de ajuda e, como o avô Zé é muito bom o Jesus escolheu-o para ser o seu ajudante.
'Mas eu também preciso do avô'... 'Quando é que ele volta?'... - Quando uma pessoa vai para o céu já não pode voltar, mas pode ver-nos.
'Mas eu tenho muitas saudades do avô Zé' - Ele também tem tuas e está sempre a ver-te, por isso, sempre que pensares nele ele vai ficar contente.

Ao longo dos anos, muitas têm sido as vezes em que o M pergunta pelo avô e diz ter saudades.

Vê-lo de lágrimas nos olhos custa, dói, lembra-nos da saudade que temos mas, nunca deixaremos de falar do avô Zé, pois, só assim, acreditamos que a sua memória permanecerá.

Todos os momentos bons que passaram juntos, o bisavô das brincadeiras e o menino dos seus olhos, não serão esquecidos.