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28 de maio de 2018

As picas

Hoje foi dia de picas para o Gabriel, três - uma violência!
Mas graças à maminha a dor passa mais rápido, ajuda a acalmar e a confortar.

Mas o que me trás aqui hoje não é o número de vacinas ou a dor que provocam.

Não pude deixar de pensar em todas as pessoas que optam por não serem vacinadas ou, pior, não vacinarem os seus filhos. Sujeitando-os, assim, a doenças terríveis, muitas vezes mortais.

Num país onde caminhávamos para a inexistência de algumas doenças, como o sarampo, por causa de alguns (mal ou pouco informados) estamos a retroceder. Estamos hoje mais vulneráveis, estão hoje todas aquelas pessoas que não podem ser vacinadas em risco, estão hoje os bebés em perigo, enquanto não podem ser vacinados.

Nos últimos meses vivi atormentada com a ideia de que o meu bebé não estava protegido contra algumas doenças, que estava em risco. Hoje fico mais descansada em relação a ele, mas preocupo-me com todos os outros bebés.

Ninguém deveria ter o direito de decidir pôr um ser indefeso em risco.

29 de maio de 2017

Previsão de parto

Este texto faz parte de um conjunto de textos que escrevi nos últimos meses.

A 30 mar 2017:

Hoje foi dia de ir ao obstetra, ia um pouco ansiosa pois chego amanhã às 34 semanas e hoje seria o dia de falarmos sobre o parto.

Ambos gostávamos de esperar que tudo se desenrolasse de forma natural mas tendo em conta que na primeira gravidez teve que ser cesariana e nesta tive um descolamento muito grande, o risco de uma cesariana de urgência e eventual hemorragia é grande.

Assim, depois de muito conversarmos, decidimos dar tempo ao Gabriel para crescer mais um bocadinho e, se até às 39 semanas ele não se tiver decidido, marcaremos cesariana para o exato dia em que faço as 39 semanas.

Ele já está com peso e tamanho ótimos 2,460kg, 45cm, por isso, se não antes, de amanhã a 5 semanas terei o meu Guerreiro nos braços :)

Fiquei mais tranquila, por um lado, pois já sei o que me espera, por outro, acho que me caiu a ficha e sinto-me mais ansiosa com a contagem decrescente.

Concluindo, dia 5 de maio deverá ser o dia N do Gabriel :)

21 de abril de 2017

Atingimos a meta

Hoje fazemos 37 semanas de gravidez.
A meta que há alguns meses parecia tão difícil de alcançar.

Hoje posso dizer que o Gabriel já é um bebé de termo, pode nascer quando quiser que já não será prematuro.

Ontem fomos ao médico e fizemos o nosso 1° CTG.
O G está óptimo e muito mexido - não precisava de um exame para me dizer isso, há momentos em que parece que anda a fazer piscinas na sua casinha :)

Meu filho, a mamã pediu tanto que te aguentasses no quentinho e tu foste um guerreiro, agora já podes nascer.

Até já meu amor pequenino! :)


As mais recentes aquisições para o quarto do G - da Mimar Baby 

4 de abril de 2017

Uma gravidez diferente do esperado

Foram alguns anos a planear, foi muito pensada e muito desejada.

Desta vez queria que fosse diferente, queria aproveitar mais, desfrutar mais, fazer as coisas que não fiz na primeira, mais sessões fotográficas, mais passeios, mais tempo a desfrutar a barriga, os pontapés, abrandar o ritmo frenético para viver em pleno esta que, talvez, seja a minha última gravidez.

Gosto de planear, de saber o que vou estar a fazer daqui a 1 dia, 1 mês, 1 ano...

E, afinal, tudo foi diferente, nada do que planeei se concretizou dessa forma.

Soube que estava grávida quando num dia agitado de trabalho senti dores no baixo ventre que quase me impossibilitavam de andar, estava apenas de 4 semanas... a partir daqui tudo foi diferente da primeira e do que esperava.

Às 12 semanas uma perda abundante de sangue levou-me às urgências, um descolamento da placenta que me obrigou a repouso absoluto durante algumas semanas.

O descolamento foi melhorando e eu ganhei a confiança de que, dali em diante, tudo melhoraria.

Não foi bem assim, apareceram valores  alterados no útero que podiam impedir o normal crescimento do bebé e risco de pré-eclampsia... repouso até ao final.

Meses difíceis, de muita angústia, dúvidas, incertezas...inicialmente não conseguia sentir que o meu bebé ficasse bem, que nascesse bem.

Aos poucos fui ficando mais confiante e foi na eco às 33 semanas que ouvi, pela primeira vez, ele está óptimo e a crescer muito bem...Não consegui conter as lágrimas, tentei engoli-las, foi o culminar de tantos meses difíceis, de tantas lágrimas...desta vez eram lágrimas boas!

Hoje sei que o meu G é um Guerreiro e que batalha a batalha vamos conseguir sair vitoriosos desta luta.

É indescritível... e tudo valeu a pena!

Não posso escrever sobre esta gravidez sem falar do B, que tem sido marido, Pai, dono de casa, cozinheiro, motorista... sempre de uma forma exemplar e nunca me deixando cair. Obrigada por seres assim e cuidares tão bem de nós!

25 de março de 2017

A minha pequena melancia

'O bebé está pronto para nascer. Os pulmões estão aptos a respirar, o estômago e os rins funcionam, o intestino produz mecónio (o primeiro cocó do bebé que será eliminado nos primeiros dias após o parto) e o seu corpo adquiriu formas mais redondinhas à medida que ganha peso e acumula gordura.'

Há alguns meses atrás parecia tão difícil ler esta informação.

Em cada semana lia que o bebé era do tamanho de um kiwi, de uma laranja, de uma pequena qualquer coisa e parecia tão longínquo o momento em que a informação seria - o bebé está pronto a nascer!

Cada semana foi para nós uma vitória.

Alguns foram os momentos em que duvidei de que saíssemos vencedores desta guerra, muitos foram os momentos em que o futuro parecia tão incerto.

Aos poucos, as semanas foram passando, e as leituras diziam que este ou aquele órgão já estava formado e a confiança de chegarmos ao fim aumentava.

Este meu menino Guerreiro aguentou-se firme e hoje deve estar com cerca de 2 kgs e do tamanho de uma pequena melancia.

Aguenta-te mais um bocadinho, meu pequenino! :)

14 de março de 2017

consulta e veredito

Este texto faz parte de um conjunto de textos que escrevi nos últimos meses.

A 12 jan 2017:

Hoje foi dia de nova eco cardíaca fetal e consulta com o nosso obtetra, o Dr. J.

Nesta semana não tem tido fácil gerir as emoções, terminámos o ano a pensar que tudo iria melhorar pois o descolamento da placenta estava a desaparecer e começámos o novo ano com notícias de valores alterados no meu útero.

A eco cardíaca correu muito bem, foi feita por despiste, o Gabriel está óptimo, com um coração muito forte.

É sempre muito especial vê-lo, ouvir o coraçãozinho cheio de genica e que me dá força...

Na consulta ficámos a saber que terei que continuar em repouso, pela primeira vez vi o Dr. J algo apreensivo com os valores alterados do meu útero. A medicação que normalmente é tomada nestas situações não a vou tomar devido ao descolamento que tive e à possibilidade de regredir. Assim, a única forma de evitar um nascimento prematuro provocado, devido ao baixo crescimento do G será eu manter-me em repouso e esperar que tudo melhore.

Estou preocupada, apreensiva, triste... agora que esperava que tudo melhorasse, a situação muda e não é para melhor.

O nosso bebé G terá que continuar a ser um Guerreiro.

13 de março de 2017

A eco das 22 semanas e mais notícias (das más)

Este texto faz parte de um conjunto de textos que escrevi nos últimos meses.

A 9 jan 2017:

Hoje foi dia de nova ecografia

Apesar de tudo, de todas as restrições, de todo o tempo em que estou de repouso, todas as suas implicações na nossa vida familiar, a gestão emocional de toda a situação e os medos... chegamos às 22 semanas.

Sinto-me muito satisfeita por estarmos a alcançar esta meta, o nosso G é mesmo um Guerreiro!

O Gabriel está óptimo e um crescido!

Ao contrário, a sua casinha não está assim tão bem, a Dra. C. descobriu uns valores alterados no meu útero que poderão impedir o normal crescimento do G. 

Estava tão esperançada de poder sair do repouso após esta ecografia...

Mais uma batalha para lutarmos e vencermos.

7 de março de 2017

A eco e o diagnóstico

Este texto faz parte de um conjunto de textos que escrevi nos últimos meses.



A 31 out 17:

Não posso dizer que acordei, pois não consigo dormir.

Eu e o B fomos fazer a eco e lá estava o nosso bebé, com as suas 12 semanas e 3 dias, o coraçãozinho a bater cheio de força. É um lutador, não podia deixar de ser para entrar na nossa família!

Apesar de ele estar bem, conseguimos ver o motivo da perda – descolamento da placenta.

Fiquei destroçada, fiquei sem chão. Se no início da gravidez, tudo o que queria era que o meu bebé crescesse e fosse saudável, agora preciso que o meu corpo também decida colaborar.

Regressamos a casa com indicações para repouso absoluto, por tempo indefinido.

Regresso com um sentimento de tristeza, não consigo perceber porquê… 

E é ao ser mais pequenino que vou buscar forças, é nele que me concentro e tudo farei para sairmos vencedores desta batalha.

Ao longo da vida e, em especial, nos últimos anos, batalhas não nos têm faltado, é mais uma que temos que vencer...



6 de março de 2017

O repouso absoluto

Este texto faz parte de um conjunto de textos que escrevi nos últimos meses.



A 30 out 16:
  
Nunca soube o que é repousar, parar por alguns minutos era o máximo que eu sabia fazer, até então.

Há dois dias que estou em repouso absoluto. As emoções são tantas, o sentimento de impotência perante um bebé tão frágil que luta em sobreviver e não saber se o meu corpo o consegue acompanhar.

Dois dias em que tenho medo de movimentar o mínimo músculo do meu corpo, que não durmo por ter medo de que algo aconteça e eu não dê conta. 

Dias em que não sei se o meu bebé vai sobreviver.

Mais uma vez, o sentimento de impotência apodera-se de mim, as dúvidas… devia ter repousado mais, não devia ter trabalhado tanto…

Amanhã é dia de nova eco… não sei o que vou encontrar.

3 de março de 2017

A perda...

Este texto faz parte de um conjunto de textos que escrevi nos últimos meses.

A 27 out 16:

Hoje tive um dia em cheio, entre reuniões e novos planos, mal tive tempo para parar ao longo do dia.

No final da última reunião do dia, o pior cenário, mesmo na véspera de fazer as 12 semanas desta gravidez tão desejada, uma perda de sangue muito abundante, dores no baixo ventre, uma sensação de vazio.

O percurso até ao hospital demorou uma eternidade, apesar da querida H ter ido a voar. Tentamos manter uma conversa banal e ‘destressar’ mas, a cada segundo, o meu pensamento fugia para o meu bebé… tão pequenino, tão indefeso e um que sentimento de impotência apoderava-se de mim.

Ao chegar fui prontamente encaminhada para o serviço de urgência de obstetrícia, mal ouvi as questões que me foram colocadas, só queria que me fizessem uma ecografia. Tinha medo, muito, pelo meu bebé, sentia que ele já não existia, mas consegui ter uma réstia de esperança…

E esta não foi em vão, o meu bebé continuava no seu casulo, quentinho e com o coração a mil. Ao ouvi-lo as lágrimas correram, não pude evitar. Tão pequenino mas tão amado!

Não conseguimos identificar a origem da perda e voltei para casa com indicações de repouso absoluto.