13 de maio de 2010

Como tratar a pele do recém-nascido

Sabia que a temperatura do banho, o PH dos sabonetes e até as etiquetas da roupa podem irritar a epiderme ultra-sensível de um recém-nascido? Mas bastam alguns cuidados para garantir que a criança tenha uma pele saudável.

Num recém-nascido, tal como todos os órgãos, a pele é muito frágil e só vai readquirindo uma maior resistência à medida que a criança cresce. «A pele tem várias funções: protege e isola a entrada de substâncias do mundo exterior para o interior da criança, ao mesmo tempo que permite que estabeleça uma relação com o meio exterior através da percepção das sensações», explica Libério Ribeiro, pediatra e presidente da Secção de Imunoalergologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria. «Claro que quanto mais delicada é uma pele, maior a probabilidade de sofrer agressões externas ou até internas, que podem ser de doenças, como o caso da dermatite atópica, relativamente frequente nas crianças até aos dois anos».

Caso o bebé não apresente quaisquer sinais de alergias e de forma a cuidar o melhor possível da sua pele, existem vários cuidados que devem ser seguidos nos dois primeiros anos. Os banhos devem ser diários e rápidos. «Não devem ultrapassar os 20 minutos e a água deve estar tépida, entre os 32 e os 33 graus», recomenda Libério Ribeiro. «Além disso, nunca se devem fazer banhos muito prolongados, uma vez que o contacto com a água elimina o filme lipídico que contém gorduras e ácidos gordos que actuam como uma barreira protectora da pele.» Quanto aos sabonetes, os pais devem optar preferencialmente pelos que possuem um pH à volta dos 5,5 ou então gordos «caso a pele tenha tendência para ser mais seca», diz o pediatra, que sublinha ainda a importância de utilizar um creme emoliente a seguir ao banho para «aumentar a camada lipídica da pele e para que a elasticidade se mantenha. Quanto mais seca estiver a pele maior é a probabilidade de aparecerem lesões».

No que diz respeito à roupa, o melhor é evitar os tecidos de lã e as fibras sintéticas, dando sempre preferência ao algodão. Mas cuidado com as etiquetas da roupa, habitualmente feitas de materiais sintéticos e que podem irritar a pele do bebé. Devem ser cortadas logo na primeira utilização e verificar que não restam quaisquer vestígios que possam arranhar a pele da criança. Libério Ribeiro chama também a atenção das mães com tendência para agasalhar muito os filhos. «O bebé não deve andar muito aquecido ou muito agasalhado, pois o suor acaba por actuar como um factor irritante da pele. E numa criança com pele sensível pode levar a prurido, mesmo sem ter dermatite atópica. Estes cuidados devem ser gerais com todos os bebés, mas têm de ser redobrados ou triplicados quando se trata de uma criança com eczema atópico, o nome pelo qual é vulgarmente conhecida a dermatite atópica.»

Banho

Não tomar banho com água muito quente (a temperatura ideal ronda os 32 graus).

Não tomar banhos muito longos, sobretudo de imersão pois aumentam a secura da pele (20 minutos no máximo).

Não usar sabonete ou gel de banho clássicos uma vez que são muito agressivos.

Escolher um champô neutro, de preferência sem aroma. Ao retirá-lo deve tentar que não escorra para o corpo, pode irritar a pele.

Secar a pele suavemente, com ligeiros toques com a toalha.

Aplicar cremes emolientes adaptados ao tipo de pele.

Roupa

Não vestir demasiado as crianças.

Evitar os tecidos sintéticos, assim como as lãs em contacto directo com a pele pois podem provocar prurido.

Sempre que possível optar por roupas de algodão.

Retirar sempre as etiquetas que roçam na pele.

Evitar os amaciadores e enxaguar muito bem as roupas.

Dermatite atópica: o que é e como se manifesta?

Mais conhecida por eczema atópico, a dermatite atópica é uma doença crónica da pele frequentemente associada a outras doenças alérgicas, como a asma brônquica e a rinite, aparecendo habitualmente antes das manifestações respiratórias;

À nascença, a pele do bebé é aparentemente normal. O eczema atópico começa a manifestar-se nos primeiros meses de vida, entre os dois e os nove meses;

A pele é muito seca, irrita-se com facilidade, aparecem placas vermelhas e o prurido (comichão) é bastante significativo;

O diagnóstico baseia-se na presença de prurido, associado a sinais cutâneos como rubor, exsudação, secura e descamação da pele;

A localização das lesões varia consoante o grupo etário: as crianças mais pequenas apresentam sinais na cabeça, por vezes apenas atrás das orelhas, enquanto as crianças mais velhas e os adultos tendem a manifestar sinais nas superfícies de flexão (atrás dos joelhos e na frente dos cotovelos;

50 por cento dos casos aparecem no primeiro ano de vida, 70 por cento nos dois primeiros anos e 30 por cento aparecem posteriormente. A grande maioria, cerca de 80 por cento, desaparece até à puberdade. Os que não desaparecem geralmente ficam para toda a vida.


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