Eis a questão! Esta é uma das maiores dúvidas dos pais. A nutricionista Aline Denise Maia explica-lhe tudo o que precisa saber sobre as necessidades deste líquido para os os mais pequenos.Ao nascer, o corpo do bebé tem cerca de 75% de água. Este líquido desempenha um papel fundamental na vida de todos nós pois ajuda a equilibrar o organismo, a regular a temperatura corporal, a eliminar substâncias indesejáveis, entre outras vantagens. As quantidades de água necessárias variam de pessoa para pessoa.
Sabe-se que uma pessoa pode ficar 40 dias seguidos sem comer mas não pode passar mais de uma semana sem beber água. Logo, é evidente que as crianças também precisam de água, especialmente se estiverem perante um calor exagerado. Contudo, a quantidade de água ingerida não deve ser em demasia. Os recém-nascidos incluem-se num grupo à parte, uma vez que, apresentam necessidades hídricas distintas das crianças mais velhas, como veremos de seguida.
Dar água aos bebés? A partir de quando?
“Dar água a um bebé com menos de seis meses é desnecessário e pode mesmo ser perigoso! Um bebé que é alimentado exclusivamente pelo leite materno ou leite especial adaptado, não necessita de água extra a não ser, em caso de perdas significativas de líquidos, através de vómitos, diarreias, febre elevada ou perdas acentuadas de água através do suor”, indica Aline Denise Maia.
O leite materno fornece ao bebé toda a energia e nutrientes de que necessita, durante os primeiros seis meses de vida. “O fornecimento de água extra pode trazer riscos para a saúde”, salienta a nutricionista. Dar água nesta fase da vida “aumenta o risco de mal nutrição uma vez que, o leite materno é substituído por um líquido de pouco ou nenhum valor nutritivo.
Mesmo pequenas quantidades de água ou de outros líquidos podem encher o estômago do bebé e reduzir o seu apetite pelo leite materno”, explica Aline Denise Maia. A amamentação exclusiva, reduz a mortalidade infantil por diarreias e pneumonias, melhora o sistema imunológico, além de garantir o intervalo entre gravidezes.
Papel da água na alimentação do bebé
A água dada ao bebé tem como função, a manutenção da temperatura corporal e a hidratação. Conforme descreve a nutricionista Aline Denise Maia, “a água fornecida em excesso pode ser responsável pela ocorrência de diarreias e de outras doenças infecciosas. Tanto a água como os restantes alimentos, quer sejam líquidos ou sólidos, são veículos e transmissores de agentes patológicos.
Assim, um bebé a quem é fornecida água extra, corre maior risco de exposição a microrganismos causadores de doenças infecciosas”. Dar demasiada água a um bebé com menos de seis meses pode provocar “hiponatremia”, que se trata de uma complicação grave, designada vulgarmente por “intoxicação pela água”.
Amamentação versus água
Na realidade, um bebé alimentado exclusivamente com leite materno, não necessita de suplementação de água. “O hábito de dar água ou outros líquidos (chás, água açucarada e sumos) a bebés que estão a ser amamentados é muito difundido. Muitas vezes, esta suplementação de água é justificada como forma de aliviar as dores causadas pelas cólicas e para servir de calmante mas deve-se fundamentalmente a crenças culturais e religiosas”, salienta Aline Denise Maia.
Dependendo da temperatura, da humidade, do peso e da actividade do bebé, as necessidades médias diárias de líquidos variam entre os 80-100ml/Kg, na primeira semana e entre 140-160ml/Kg no período compreendido entre os três e os seis meses de vida.
“A água presente no leite materno cobre as necessidades do bebé em condições normais e também é suficiente para bebés que vivem em climas quentes e secos. Em caso de diarreia leve, recomenda-se um aumento da frequência da amamentação e em casos mais graves poderá ser necessário recorrer à ajuda de profissionais de saúde”, sugere a nutricionista.
E a partir dos seis meses?
É nesta fase que se inicia a introdução de alimentos variados que complementam as necessidades hídricas das crianças. “A água, a partir dos seis meses de vida, pode ser fornecida através da fruta, dos sumos de fruta, dos vegetais ou sob a forma de água fervida dada após a refeição. Deve-se contudo, assegurar que a água e os outros líquidos não substituam o leite materno”, conclui Aline Denise Maia
Cuidados a ter com a água que se dá aos bebés
- A água da rede pública é submetida a um rigoroso controlo e é, sem dúvida, mais barata do que a água engarrafada. Para que os riscos sejam diminuídos, poderá fervê-la até atingir os 100ºC embora não possamos esquecer que a criação das redes públicas e de saneamento, permitiram uma diminuição da mortalidade por doenças infecto-contagiosas. Será contudo de referir que o consumo de água engarrafada em Portugal tem aumentado bastante na última década, tendo para tal, muito contribuído as campanhas de marketing.
- Em caso de dúvida relativamente à qualidade da água da rede pública, pode optar pela água engarrafada, em embalagens invioláveis mas tendo o cuidado de ir variando de marca devido à sua diferente composição.
- A água deve ser fornecida à criança quando esta está acordada e deve-se ter o cuidado de aumentar o aporte de líquidos nos dias quentes e quando o bebé tem febre.
- Tenha sempre em conta que as crianças precisam de maior quantidade de água do que os adultos uma vez que possuem menos massa corporal.
- A administração de água aos mais pequenos pode ser feita utilizando uma colherzinha ou um copo de aprendizagem e deve deixar o bebé beber a que lhe apetecer.
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