17 de junho de 2010

como prevenir o risco de morte súbita nos lactentes

É uma das grandes preocupações dos recém-papás. Se os pais seguirem algumas das dicas aconselhadas pelo pediatra Armando Fernandes, certamente estarão a contribuir para que os seus receios tenham cada vez menos fundamento.

Quais as principais causas da síndrome de morte súbita do lactente?

Apesar das causas para a síndrome de morte súbita do lactente ainda não estarem totalmente esclarecidas, um estudo recente sugere que estes lactentes apresentam alterações ao nível do tronco cerebral, nomeadamente um defeito no transporte de serotonina, em zonas que controlam as funções respiratórias, cardíacas, arteriais e térmicas. Estas alterações fazem com que o cérebro não desencadeie mecanismos de reacção/recuperação, quando há problemas naquelas funções, levando à morte súbita do lactente.

Há alguma forma dos pais ajudarem os bebés a recuperar perante uma possibilidade de morte súbita. Como?

Alguns lactentes poderão experimentar “episódios de aparente risco de vida”, deixando de respirar por alguns segundos, recuperando rapidamente após estimulação. Assim, a ajuda (estimulação) imediata pode salvar estes lactentes. Se após a estimulação o lactente não respira e/ou o coração não bate, devem iniciar-se imediatamente as manobras de suporte básico de vida (assegurar a permeabilidade das vias aéreas superiores, respiração boca-a-boca, massagem cardíaca externa, etc.) e contactar o 112!

Qual a importância dos monitores de apneias nestes casos?

Existem diversos modelos de monitores domiciliários de apneias, que avisam quando o bebé tem uma pausa respiratória superior a determinado espaço de tempo. Alguns colocam-se debaixo do colchão (BABYsense®), para sentir o movimento torácico, outros colocam-se presos à fralda (Respisense®), para sentir os movimentos do abdómen com a respiração.

No entanto, só se indicam em raras ocasiões como: famílias com história de um filho anterior que sofreu a síndrome de morte súbita do lactente; lactentes de risco nascidos prematuros e de baixo peso; lactentes que sofreram “episódios de aparente risco de vida” (apneias, síncopes, cianose ou palidez súbita, episódios de hipertonia ou hipotonia).

O seu uso por rotina não se recomenda já que oferece muitos falsos positivos, ou seja, tocam frequentemente, independentemente do bebé ter uma apneia ou não. Por isso, se os pais pretenderem comprar os referidos monitores devem discutir este assunto com o pediatra assistente.

Como se pode tranquilizar os pais, tendo em conta que este constitui um dos pânicos mais comuns dos recém-papás?

Pessoalmente, na primeira consulta do recém-nascido abordo delicadamente esta temática, averiguando se existem factores de risco para a síndrome de morte súbita do lactente e aconselho os pais a evitarem os referidos factores. Em situações particulares (famílias com história de um filho anterior que sofreu a síndrome de morte súbita do lactente; lactentes de risco nascidos prematuros e de baixo peso; lactentes que sofreram “episódios de aparente risco de vida” (apneias, síncopes, cianose ou palidez súbita, episódios de hipertonia ou hipotonia) aconselho a compra de monitores de apneias.

Dicas para prevenir o risco de morte súbita

Apesar das causas para a síndrome de morte súbita do lactente ainda não estarem totalmente esclarecidas, o que sabemos é que existem factores de risco que devem ser evitados. De forma sucinta, a síndrome de morte súbita do lactente pode ser diminuída se os pais, em especial a mãe, tomarem as seguintes atitudes:

·O bebé deve dormir no quarto dos pais nos primeiros meses de vida;

·Os pais devem escolher, para o berço do bebé, um colchão com tecido de fibra mais resistente e evitarem colocar o bebé em superfícies pouco estáveis, como almofadas/travesseiros fofos e altos, sofás, colchões de água, almofadas, colchas, edredões, etc.

·O bebé deve dormir de costas;

·A mãe não deve fumar ou estar exposta ao fumo de tabaco durante a gravidez. O recém-nascido e o lactente também não devem estar expostos ao fumo de tabaco;

·Recomenda-se que os pais destapem a cabeça do bebé para dormir;

·Não devem aquecer demasiado o bebé;

·Os bebés não devem ser colocados a dormir na cama de adultos;

·Promover o aleitamento materno (se possível, pelo menos nos primeiros seis meses de vida);

·Promover o uso da chupeta pelo bebé ao dormir durante o primeiro ano de vida.

O factor mais importante parece ser a posição do lactente ao dormir que deverá “dormir de preferência de costas, se o médico não contra-indicar” como referido no Boletim de Saúde Infantil e Juvenil e preconizado pela Direcção Geral de Saúde desde 1990. Assim, Portugal foi o segundo país da Europa a ter uma norma oficial sobre este assunto.

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