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17 de junho de 2010

Noites em claro

Muitas crianças têm noites agitadas não permitindo aos pais o descanso nocturno. As causas são várias e convém conhecê-las para utilizarem as medidas mais adequadas.


Recém-nascido

Durante os primeiros dias é natural que os bebés recém-nascidos acordem muitas vezes durante a noite e durante o dia. O bebé terá de se ambientar aos múltiplos estímulos visto vir de um mundo calmo e sem estímulos violentos – o útero materno. Os sons eram amortecidos pelo líquido amniótico e pela bolsa, a luz era apenas sentida como uma penumbra e a temperatura era quase inalterável.

Agora o bebé terá de se adaptar ao mundo. É pois natural, que embora durante os primeiros tempos durma cerca de dezasseis a vinte horas por dia, acorde várias vezes a chorar. O bebé sente-se inseguro e a mãe deve falar-lhe para que sinta a sua voz e se acalme. A sua proximidade e o seu cheiro vão acalmá-lo.

Também é natural que o bebé tenha fome dado que nesta altura ainda não tem a rotina da amamentação instituída. A mãe deve ter calma e não ficar ansiosa para que a sua ansiedade não se transmita ao bebé. A melhor forma para que o bebé se habitue ao novo ritmo é sempre que acabar de o amamentar e de o fazer arrotar, deitá-lo no seu berço. O bebé nesta idade não necessita que o mantenha ao colo por muito tempo. A mãe deve cuidar para que o bebé não se sinta desconfortável com a fralda molhada, com ruídos fortes ou luminosidade intensa.

Bebé

A partir do primeiro mês o e até completar o primeiro ano o bebé continua a dormir muito. Todavia, as horas de sono são mais repartidas. O bebé dorme sonos mais longos durante a noite e sonos mais curtos durante o dia. Os tempos de sono diurno são repartidos por várias sestas.

A partir dos 3 meses e até aos 6 meses os sono da noite pode durar nove horas seguidas e a partir desta idade o seu sono nocturno pode alargar-se entre as dez e as doze horas. A partir do primeiro ano e até aos três as crianças continuam a dormir diariamente cerca de treze a quatorze horas. Os sonos diurnos vão-se reduzindo a um único período – a sesta da tarde.

Durante os primeiros meses podem ocorrer várias crises de choro. Para elas contribuem várias causas:

O dia e a noite – Nos primeiros meses o bebé vai aperceber-se das alterações – dia/noite – e é natural que tenha crises de choro durante a tarde porque pode sentir-se inquieto quer com os ruídos quer com a luminosidade. Perante estas crises os pais não devem parar de fazer ruídos ou insonorizar o quarto do bebé ou, para evitar a luz, colocarem o quarto permanentemente às escuros.

A criança vai ter de se habituar às diferenças dia/noite e para a acalmar não há nada como, depois de verificar que não está incomodada com a fralda suja ou com fome, pegar-lhe suavemente, afagá-la e colocá-la de novo na caminha. Para que sinta a sua presença, pode fazer-lhe umas festas suavemente até que pegue de novo no sono.

As cólicas – São fáceis de reconhecer, o bebé cerra os punhos, flexiona as perninhas e chora desesperadamente. Ocorrem geralmente a partir das quatro semanas e podem prolongar-se até aos quatro meses. Surgem geralmente ao fim da tarde e é difícil conseguir confortar o bebé.

Aconselha-se a que os pais massagem suavemente a barriguinha do bebé no sentido dos ponteiros do relógio – podem fazê-lo aplicando óleo morno nas mãos -, o coloquem deitado de barriga para baixo sobre as suas pernas e o embalem suavemente.

Quando o bebé não pára de chorar podem colocá-lo no carrinho de passeio e andar um pouco com ele pela casa. O pediatra pode ajudar prescrevendo um medicamente adequado quando o bebé sofre durante largos períodos de tempo com este transtorno.

A angústia da separação – Cerca dos oito meses o bebé começa a sentir a ausência dos pais. Nesta altura o bebé também já saiu do quarto dos pais e quando se sente sozinho é natural que chore quando acorda durante a noite. Muitas vezes acorda e depois de choramingar consegue adormecer de novo sem a interferência dos pais.

Contudo, quando isto não acontece e para que o bebé se sinta seguro, os pais devem dirigir-se ao quarto da criança, falar-lhe suavemente e aconchegá-lo para que ele sinta a sua presença e adormeça de novo. Isto pode acontecer várias vezes durante a noite mas, em caso algum – excepção para os casos em que a criança está muito doente – os pais devem levar a criança para a sua cama.

Medo do escuro – A interrupção do sono nocturno com ataques de choro provocados pelo medo que a criança tem do escuro, começa apenas a acontecer a partir dos dois anos, altura em que a criança já tem uma capacidade imaginativa muito grande. Assim, quando a criança acorda e se encontra na penumbra do quarto pode imaginar que um monstro está a abanar o cortinado ou que o cão do vizinho, que é muito mau, se encontra escondido debaixo da sua caminha.

O estalar da mobília pode ser um sussurro terrível. Nestes casos, os pais devem dirigir-se ao seu quarto quando chora e acendendo a luz, mostrar à criança que nada existe no quarto que lhe possa fazer mal se necessário, os pais podem verificar com a criança todos os cantos do quarto.

Inclusive, para que a criança fique descansada, abrir as gavetas e verificar com ela o interior do roupeiro. Depois da criança ficar sossegada, devem deitá-la e aconchegá-la dizendo que estarão atentos e vigilantes. Se necessário, os pais devem deixar uma luz de presença acesa durante a noite e a porta do quarto da criança entreaberta.

Pesadelos – É também a partir dos dois anos, e por um período que se pode manter até cerca dos seis, que a criança pode acordar repentinamente com pesadelos. Geralmente grita e não consegue desligar-se dos sonhos maus. Pode sonhar com algumas situações que vivenciou durante o dia e que agora se transformam em pesadelos durante a noite.

Nestes casos só o carinho e o amor a podem acalmar. Os pais devem tentar acalmar a criança falando um pouco com ela. Oferecer-lhe um copo de leite morno e mimá-la durante uns minutos. A criança tem que se sentir apoiada e segura pelo amor dos pais. Também nestes casos é natural que a criança se levante e se dirija para o quarto dos pais para se abrigar na sua cama.

Os pais não o devem permitir e devem acompanhar a criança de novo ao seu quarto para que aí permaneça. Nos casos em que a criança faz estas peregrinações várias vezes numa só noite, muito embora os pais se sintam cansados e desejosos, também eles, de descansar, a verdade é que a melhor solução não é deixar que a criança permaneça na cama do casal.

Estabelecer rotinas

O mais importante para que a criança tenha sonos descansados é que aprenda a dormir. Para isso há que estabelecer rotinas desde o início. As rotinas são importantes para que a criança aprenda a conhecer as sequências temporais. Geralmente as melhores rotinas iniciam-se com um banho, seguido de uma massagem calmante. Depois convém que a criança tome a sua refeição calmamente e que não tenha estímulos que a possam excitar antes de se deitar. Na hora de ir para a cama os pais devem manter um ritual:

- Deitar o bebé

- Aconchegá-lo

- Cantar-lhe uma canção de embalar

- Despedir-se carinhosamente com um beijinho de boa noite.

Esta rotina deve ser mantida diariamente sem oscilação nos horários. Com ela, o bebé vai adaptar o seu ritmo biológico aos horários de sono marcados pela rotina e os seus sonos serão mais calmos.

Com as crianças mais crescidas, a partir dos dois anos, convém que para além das rotinas estabelecidas, os pais não permitam que entre o período do fim de jantar e a hora de ir para a cama, a criança tenha brincadeiras violentas como por exemplo, jogar à bola ou às escondidas ou ver televisão. Pode desenvolver actividades tranquilas como, pintar um livro, montar uma torre ou fazer um puzzle. Isto é importante para que a criança esteja calma na hora de dormir.

como prevenir o risco de morte súbita nos lactentes

É uma das grandes preocupações dos recém-papás. Se os pais seguirem algumas das dicas aconselhadas pelo pediatra Armando Fernandes, certamente estarão a contribuir para que os seus receios tenham cada vez menos fundamento.

Quais as principais causas da síndrome de morte súbita do lactente?

Apesar das causas para a síndrome de morte súbita do lactente ainda não estarem totalmente esclarecidas, um estudo recente sugere que estes lactentes apresentam alterações ao nível do tronco cerebral, nomeadamente um defeito no transporte de serotonina, em zonas que controlam as funções respiratórias, cardíacas, arteriais e térmicas. Estas alterações fazem com que o cérebro não desencadeie mecanismos de reacção/recuperação, quando há problemas naquelas funções, levando à morte súbita do lactente.

Há alguma forma dos pais ajudarem os bebés a recuperar perante uma possibilidade de morte súbita. Como?

Alguns lactentes poderão experimentar “episódios de aparente risco de vida”, deixando de respirar por alguns segundos, recuperando rapidamente após estimulação. Assim, a ajuda (estimulação) imediata pode salvar estes lactentes. Se após a estimulação o lactente não respira e/ou o coração não bate, devem iniciar-se imediatamente as manobras de suporte básico de vida (assegurar a permeabilidade das vias aéreas superiores, respiração boca-a-boca, massagem cardíaca externa, etc.) e contactar o 112!

Qual a importância dos monitores de apneias nestes casos?

Existem diversos modelos de monitores domiciliários de apneias, que avisam quando o bebé tem uma pausa respiratória superior a determinado espaço de tempo. Alguns colocam-se debaixo do colchão (BABYsense®), para sentir o movimento torácico, outros colocam-se presos à fralda (Respisense®), para sentir os movimentos do abdómen com a respiração.

No entanto, só se indicam em raras ocasiões como: famílias com história de um filho anterior que sofreu a síndrome de morte súbita do lactente; lactentes de risco nascidos prematuros e de baixo peso; lactentes que sofreram “episódios de aparente risco de vida” (apneias, síncopes, cianose ou palidez súbita, episódios de hipertonia ou hipotonia).

O seu uso por rotina não se recomenda já que oferece muitos falsos positivos, ou seja, tocam frequentemente, independentemente do bebé ter uma apneia ou não. Por isso, se os pais pretenderem comprar os referidos monitores devem discutir este assunto com o pediatra assistente.

Como se pode tranquilizar os pais, tendo em conta que este constitui um dos pânicos mais comuns dos recém-papás?

Pessoalmente, na primeira consulta do recém-nascido abordo delicadamente esta temática, averiguando se existem factores de risco para a síndrome de morte súbita do lactente e aconselho os pais a evitarem os referidos factores. Em situações particulares (famílias com história de um filho anterior que sofreu a síndrome de morte súbita do lactente; lactentes de risco nascidos prematuros e de baixo peso; lactentes que sofreram “episódios de aparente risco de vida” (apneias, síncopes, cianose ou palidez súbita, episódios de hipertonia ou hipotonia) aconselho a compra de monitores de apneias.

Dicas para prevenir o risco de morte súbita

Apesar das causas para a síndrome de morte súbita do lactente ainda não estarem totalmente esclarecidas, o que sabemos é que existem factores de risco que devem ser evitados. De forma sucinta, a síndrome de morte súbita do lactente pode ser diminuída se os pais, em especial a mãe, tomarem as seguintes atitudes:

·O bebé deve dormir no quarto dos pais nos primeiros meses de vida;

·Os pais devem escolher, para o berço do bebé, um colchão com tecido de fibra mais resistente e evitarem colocar o bebé em superfícies pouco estáveis, como almofadas/travesseiros fofos e altos, sofás, colchões de água, almofadas, colchas, edredões, etc.

·O bebé deve dormir de costas;

·A mãe não deve fumar ou estar exposta ao fumo de tabaco durante a gravidez. O recém-nascido e o lactente também não devem estar expostos ao fumo de tabaco;

·Recomenda-se que os pais destapem a cabeça do bebé para dormir;

·Não devem aquecer demasiado o bebé;

·Os bebés não devem ser colocados a dormir na cama de adultos;

·Promover o aleitamento materno (se possível, pelo menos nos primeiros seis meses de vida);

·Promover o uso da chupeta pelo bebé ao dormir durante o primeiro ano de vida.

O factor mais importante parece ser a posição do lactente ao dormir que deverá “dormir de preferência de costas, se o médico não contra-indicar” como referido no Boletim de Saúde Infantil e Juvenil e preconizado pela Direcção Geral de Saúde desde 1990. Assim, Portugal foi o segundo país da Europa a ter uma norma oficial sobre este assunto.

Dar ou não dar água aos bebés?

Eis a questão! Esta é uma das maiores dúvidas dos pais. A nutricionista Aline Denise Maia explica-lhe tudo o que precisa saber sobre as necessidades deste líquido para os os mais pequenos.

Ao nascer, o corpo do bebé tem cerca de 75% de água. Este líquido desempenha um papel fundamental na vida de todos nós pois ajuda a equilibrar o organismo, a regular a temperatura corporal, a eliminar substâncias indesejáveis, entre outras vantagens. As quantidades de água necessárias variam de pessoa para pessoa.

Sabe-se que uma pessoa pode ficar 40 dias seguidos sem comer mas não pode passar mais de uma semana sem beber água. Logo, é evidente que as crianças também precisam de água, especialmente se estiverem perante um calor exagerado. Contudo, a quantidade de água ingerida não deve ser em demasia. Os recém-nascidos incluem-se num grupo à parte, uma vez que, apresentam necessidades hídricas distintas das crianças mais velhas, como veremos de seguida.

Dar água aos bebés? A partir de quando?

“Dar água a um bebé com menos de seis meses é desnecessário e pode mesmo ser perigoso! Um bebé que é alimentado exclusivamente pelo leite materno ou leite especial adaptado, não necessita de água extra a não ser, em caso de perdas significativas de líquidos, através de vómitos, diarreias, febre elevada ou perdas acentuadas de água através do suor”, indica Aline Denise Maia.

O leite materno fornece ao bebé toda a energia e nutrientes de que necessita, durante os primeiros seis meses de vida. “O fornecimento de água extra pode trazer riscos para a saúde”, salienta a nutricionista. Dar água nesta fase da vida “aumenta o risco de mal nutrição uma vez que, o leite materno é substituído por um líquido de pouco ou nenhum valor nutritivo.

Mesmo pequenas quantidades de água ou de outros líquidos podem encher o estômago do bebé e reduzir o seu apetite pelo leite materno”, explica Aline Denise Maia. A amamentação exclusiva, reduz a mortalidade infantil por diarreias e pneumonias, melhora o sistema imunológico, além de garantir o intervalo entre gravidezes.

Papel da água na alimentação do bebé

A água dada ao bebé tem como função, a manutenção da temperatura corporal e a hidratação. Conforme descreve a nutricionista Aline Denise Maia, “a água fornecida em excesso pode ser responsável pela ocorrência de diarreias e de outras doenças infecciosas. Tanto a água como os restantes alimentos, quer sejam líquidos ou sólidos, são veículos e transmissores de agentes patológicos.

Assim, um bebé a quem é fornecida água extra, corre maior risco de exposição a microrganismos causadores de doenças infecciosas”. Dar demasiada água a um bebé com menos de seis meses pode provocar “hiponatremia”, que se trata de uma complicação grave, designada vulgarmente por “intoxicação pela água”.

Amamentação versus água

Na realidade, um bebé alimentado exclusivamente com leite materno, não necessita de suplementação de água. “O hábito de dar água ou outros líquidos (chás, água açucarada e sumos) a bebés que estão a ser amamentados é muito difundido. Muitas vezes, esta suplementação de água é justificada como forma de aliviar as dores causadas pelas cólicas e para servir de calmante mas deve-se fundamentalmente a crenças culturais e religiosas”, salienta Aline Denise Maia.

Dependendo da temperatura, da humidade, do peso e da actividade do bebé, as necessidades médias diárias de líquidos variam entre os 80-100ml/Kg, na primeira semana e entre 140-160ml/Kg no período compreendido entre os três e os seis meses de vida.

“A água presente no leite materno cobre as necessidades do bebé em condições normais e também é suficiente para bebés que vivem em climas quentes e secos. Em caso de diarreia leve, recomenda-se um aumento da frequência da amamentação e em casos mais graves poderá ser necessário recorrer à ajuda de profissionais de saúde”, sugere a nutricionista.

E a partir dos seis meses?

É nesta fase que se inicia a introdução de alimentos variados que complementam as necessidades hídricas das crianças. “A água, a partir dos seis meses de vida, pode ser fornecida através da fruta, dos sumos de fruta, dos vegetais ou sob a forma de água fervida dada após a refeição. Deve-se contudo, assegurar que a água e os outros líquidos não substituam o leite materno”, conclui Aline Denise Maia

Cuidados a ter com a água que se dá aos bebés

- A água da rede pública é submetida a um rigoroso controlo e é, sem dúvida, mais barata do que a água engarrafada. Para que os riscos sejam diminuídos, poderá fervê-la até atingir os 100ºC embora não possamos esquecer que a criação das redes públicas e de saneamento, permitiram uma diminuição da mortalidade por doenças infecto-contagiosas. Será contudo de referir que o consumo de água engarrafada em Portugal tem aumentado bastante na última década, tendo para tal, muito contribuído as campanhas de marketing.

- Em caso de dúvida relativamente à qualidade da água da rede pública, pode optar pela água engarrafada, em embalagens invioláveis mas tendo o cuidado de ir variando de marca devido à sua diferente composição.

- A água deve ser fornecida à criança quando esta está acordada e deve-se ter o cuidado de aumentar o aporte de líquidos nos dias quentes e quando o bebé tem febre.

- Tenha sempre em conta que as crianças precisam de maior quantidade de água do que os adultos uma vez que possuem menos massa corporal.

- A administração de água aos mais pequenos pode ser feita utilizando uma colherzinha ou um copo de aprendizagem e deve deixar o bebé beber a que lhe apetecer.

Os primeiros dias de uma mãe

Os cuidados com o bebé absorvem toda a energia de uma nova mãe.

Mas é essencial não se esquecer de pensar em si própria. Afinal, também acabou de nascer. A avalanche de emoções, nos primeiros dias após o nascimento de um bebé, é natural.

Mas é tão avassaladora que nem sempre se consegue passar por ela de cabeça erguida e com um sorriso constante de felicidade completa. É claro que o bebé é lindo e maravilhoso, mas isso só faz com que os sentimentos negativos pareçam ainda mais despropositados.

Então a culpa – que todas as mães tratam por tu – ataca em força, agravando mais a nuvem que teima em fazer sombra no espírito das mães acabadas de nascer. Insegurança, ansiedade, medo, cansaço, mal-estar físico, confronto com um corpo que não parece ser seu, dificuldades na amamentação são tudo ingredientes que podem fazer de um período tantas vezes idealizado como perfeito uma fase para esquecer.

Não é por acaso que 10 a 15 por cento das mães sofre uma depressão no período sensível que se segue ao parto. Muitas delas tinham anteriormente factores que as predispunham para tal, mas também há casos em que nada fazia prever o surgimento de tal situação.

Convém salientar que, entre muitos factores e circunstâncias, a experiência de parto é decisiva para a forma como a mãe se sente em relação a si própria.

E depois, estar preparada para as emoções contraditórias do pós-parto, para os sentimentos menos bons, para as crises de choro – que são normais -, ou seja, pensar no assunto durante a gravidez e adoptar algumas estratégias que facilitam, na prática, a vida no pós-parto é também decisivo para que os primeiros dias e semanas sejam lembrados sobretudo pelos bons momentos.

Sonhou tanto com o momento de ter o seu filho nos braços e agora que ele está aí, pode acontecer senti-lo como um estranho. O amor avassalador que esperava sentir pode parecer, afinal, estranho e débil.

A tendência, quando tal sentimento de vazio se instala, é duvidar desde logo de ser uma boa mãe. Mas não só esta sensação é normal e frequente, como não tem absolutamente nada a ver com a sua competência maternal. O amor de uma mãe nem sempre surge de rompante no pós-parto. Muitas vezes exige que passe algum tempo, que se descubra e reconheça aquele bebé. Mas acredite que ele acaba por surgir, de forma apaixonada e incondicional.

Sair de casa faz bem à mãe e ao bebé. Passar dias seguidos metida em casa é estar a alimentar a neura, quando o que se pretende é combatê-la. A amamentação, além de todas as vantagens que tem para a saúde do bebé e da mãe, permite saídas de casa descontraídas.

A refeição do bebé está sempre pronta, na temperatura certa, e não exige transportar qualquer material que não esteja incluído em si própria. Assim sendo, não se entregue à inércia e procure sair pelo menos uma vez por dia, para um pequeno passeio.

O carrinho coloca muitas vezes dificuldades logísticas e, para um recém-nascido, o contacto com a mãe nunca é demais. Por isso, opte pelo pano ou pelo canguru, verdadeiros prolongamentos da barriga que o transportou durante nove meses.

Mas sair sem o bebé também deve fazer parte dos seus planos. Procure recomeçar rapidamente as actividades que mantinha antes do parto e que lhe davam prazer, seja exercício físico, a leitura de um livro, ou caminhar. Bastam duas horas para voltar com energias renovadas. O bebé pode ficar com o pai ou com uma avó e, acredite, ele vai sobreviver em bom estado.

Texto de Ana Esteves

Revista Pais & Filhos

9 de abril de 2010

cuidados básicos sem mitos

Os gestos básicos que precisa mesmo de saber

Para as jovens mães que cuidam pela primeira vez de um recém-nascido, a frase «ainda sou do tempo...» pode ter dois sentidos.

Uma grande ajuda ou uma verdadeira dor de cabeça.

A maior parte das avós faz questão de ajudar a cuidar do mais novo elemento da família, só que por vezes este gesto confunde ainda mais as mães inexperientes. Entre as recomendações do pediatra e as dicas das avós, o que fazer?

A saber viver recuperou as principais regras, dicas e mezinhas e submeteu-as à análise do pediatra Paulo Oom.

A chupeta

A utilização da chupeta continua a dividir opiniões. Deverá ser dada aos bebés logo na primeira semana de vida ou apenas para dormir? Perante a regra antiga que proíbe o seu uso durante o período em que a mãe estiver a amamentar, pois a criança poderá não querer mamar.

Paulo Oom assegura que «a chupeta pode ser dada ao bebé a partir do momento em que a amamentação estiver estabelecida, em regra ao fim de alguns dias de vida. É um objecto apaziguador que acalma o bebé com a sucção».

Os micróbios

Esterilizar o biberão, a chucha e outros utensílios do bebé até que este complete um ano é, para a maioria dos pais, uma etapa obrigatória. Na opinião do pediatra, «a esterilização foi uma forma essencial de evitar as doenças infecciosas quando as condições de higiene e tratamento de águas não eram as ideais».

«Nos tempos que correm, nas cidades do mundo ocidental, a esterilização da água, tetinas e biberões não é necessária em qualquer idade. Basta lavar cuidadosamente como qualquer utensílio, seja louça ou roupa», refere ainda.

Dormir sozinho

A partir de quando deve o bebé mudar-se para o seu próprio quarto?

Muitos apontam os nove meses como a
data-limite.

Segundo o pediatra, «O bebé deve dormir no quarto dos pais até fazer a noite completa ou próximo disso por uma questão de comodidade».

Já por razões de segurança, deverá dormir no mesmo quarto «pelo menos até aos quatro meses». O risco de morte súbita gera muitas preocupações, mas a ideia que dormir de barriga para cima é perigoso, na opinião de Paulo Oom, «não faz sentido». «A única posição considerada perigosa é a de barriga para baixo, que está relacionada com uma maior incidência da síndrome de morte súbita», salienta.

Sair à rua

Durante o primeiro mês, tente ignorar os olhares reprovadores das avós quando a virem a agasalhar o bebé e preparar o carrinho para sair à rua. Principalmente se estiver mesmo a precisar de descontrair e apanhar ar.

«Se possível o bebé deve ficar em casa no primeiro mês, o que não deve impedir a mãe de sair à rua. Costumo dizer que o bebé vai passear no parque não porque ele precisa, mas porque a mãe precisa», sublinha.

Seja em casa ou na rua, evite agasalhá-lo demasiado, para que não transpire. Vista-o de acordo com a estação do ano e não avalie a temperatura do bebé pelas mãos ou pés já que, por norma, estão mais frios do que o resto do corpo.

Os primeiros passos

Diz a tradição que, a partir dos seis meses, não se deve manter um bebé de pé (apoiado pela mãe) pois há o risco de este ficar com as pernas tortas. Para o pediatra Paulo Oom, este gesto «desde que feito ocasionalmente, como geralmente é o caso, não tem influência nas pernas da criança».

O mesmo não se pode dizer do uso de andarilhos «que podem deformar as pernas do bebé», sabia alerta o especialista.

O choro e o colo

Perante uma crise de choro do bebé, ignore as recomendações que dizem que é benéfico para o seu desenvolvimento.

«Não tem qualquer interesse o chorar para desenvolver os pulmões», defende Paulo Oom.

«Se o bebé chora deve ser consolado ao fim de alguns minutos, se ainda não aprendeu a consolar-se sozinho», acrescenta ainda. O mesmo se aplica à ideia que defende não dar colo aos mais pequenos para que não fiquem mal habituados. «Nem oito nem oitenta. O bebé aprende também por hábito, logo deve ter colo quanto baste», realça o pediatra.

O banho

Ao contrário do que se pensa, o banho diário do bebé não é obrigatório, podendo ser realizado apenas dia sim, dia não (sobretudo se este tiver pele seca). A água deve estar à temperatura do corpo (37 graus) e, após a lavagem, a pele do bebé deve bem limpa e hidratada, prestando-se atenção às dobras na zona do pescoço, braços e pernas.

Tratar do cordão umbilical pode ser motivo de preocupação. O senso comum manda tapá-lo com gaze depois de desinfectar, o que para o pediatra «devia ser proibido. Depois de desinfectar, o cordão deve ficar ao ar pois isso ajuda a cicatrização».

http://familia.sapo.pt/articles/familia/saber_viver/1051429-3.html